O Sequestro do Metrô 123

O Sequestro do Metrô 123

Ficha técnica


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País


Sinopse

Um sujeito sequestra um vagão com passageiros e passa fazer demandas. Um controlador de tráfego é obrigado a negociar a vida dessas pessoas.


Extras

- Trailers (sem legendas)
- Making Of
- Especias


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

03/09/2009

Há alguns momentos no suspense O Sequestro do Metrô 123 que comprovam estarmos diante de um filme de Tony Scott. É quando a câmera gira. Num filme de Tony Scott, a câmera gira de todas as formas possíveis e imagináveis e, a cada novo trabalho, o diretor parece aumentar a lista de possibilidades para esse efeito. O problema é que há muito tempo esse tipo de artifício deixou de ser eficiente e passou a ser irritante.

Irmão mais novo de Ridley Scott, Tony chamou a atenção nos anos 1980 com Fome de Viver, mas ficou famoso mesmo em meados daquela década com Top Gang – Ases Indomáveis Desde então, sua carreira andou na corda bamba dos filmes medíocres com cara de videoclipe.

É o caso de O Sequestro do Metrô 123. Trabalhando com um roteiro de Brian Helgeland (Sobre Meninos e Lobos), a partir de um romance de John Godey já filmado duas vezes – em 1974, por Joseph Sargent e, em 1988, numa produção para a TV por Félix Enríquez Alcalá – o diretor encontra uma desculpa para todos os seus tiques visuais de comercial de televisão.

Como o título já entrega, o filme é sobre o sequestro de um trem do metrô de Nova York. John Travolta (o eterno Tony Manero) é o vilão, Denzel Washington (O Gângster), mais uma vez é o sujeito comum que salva o dia bancando o herói. A trama, por si, não tem nada de novo, mas poderia manter a tensão não fossem os exageros visuais de Scott.

Walter Garber (Washington) é um controlador de tráfego do metrô que atende a ligação do sequestrador Ryder (Travolta), que tomou um vagão com passageiros e, em uma hora, começará a matar um por minuto se o seu pedido de resgate não for atendido. É uma corrida contra o tempo – e Scott parece levar isso a sério demais com sua câmera giratória e planos que duram um piscar de olhos.

Em meio a esse caos visual de fotografia estourada, cores saturadas, cortes rápidos e câmera frenética existe uma questão moral soterrada. O personagem de Washington é investigado por suborno e o de Travolta tem um passado que vai se revelando pouco idôneo também.

James Gandolfini, Tony Soprano, é o prefeito de uma Nova York pós-11 de Setembro, pós-Giuliani, na qual o dinheiro, mais do que nunca, manda e desmanda nos homens. Alguns aceitam as ordens por motivos nobres, outros, por pura ganância. Seria um comentário ácido – embora pouco original – não fosse o desvario ao qual O Sequestro do Metrô 123 se entrega antes mesmo de acabar a sequência de créditos iniciais.

As cenas de ação, especialmente aquelas que acontecem na superfície da cidade (e não no vagão sequestrado) são absurdamente exageradas e parecem planejadas apenas para aplacar a fome de Scott pelo caos.

Fosse feito alguns anos atrás, ainda no calor do 11 de Setembro, talvez O Sequestro do Metro 123 fosse mais palatável – ao menos para os nova-iorquinos. Agora, quase uma década depois do ataque terrorista, o filme se perde e fica girando em falso, como a câmera de seu diretor.

Alysson Oliveira


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