Em Má Companhia

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Crítica Cineweb

18/02/2003

Quem assistiu ao paranóico A Soma de Todos os Medos (2002), poderá ter a chance de encontrar sua versão bem-humorada na mais nova produção de Joel Schumacher, Em Má Companhia. Afinal, ambos seguem a mesma linha: bombas nucleares podem cair nas mãos de terroristas fanáticos, e, independente de qual seja o motivo, vão querer detoná-las nos Estados Unidos.

No entanto, o filme evita enveredar pelos caminhos do nacionalismo ufanista - intragável para os não-americanos e marcante nesse tipo de tema. O filme de Schumacher chega até a explicar razoavelmente porque uma pessoa pode atacar os EUA sem ser simplesmente um lunático. Isto é, na verdade, explora um motivo mais coerente do que a inveja ou a insanidade, para constatar as causas remotas dos ataques terroristas, como os do fatídico 11 de setembro de 2001.

Mesmo assim, o filme está longe de se tornar exemplo de como abordar o problema. Na história, um agente da CIA morre em um atentado terrorista e deixa incompleta sua missão: recuperar uma poderosa bomba nuclear portátil que está nas mãos de um comerciante russo. Com medo de que ela caia em mãos erradas, o corpo de espiões recorre a sua única alternativa: encontrar o irmão gêmeo do agente e treiná-lo para que termine a missão.

No ritmo de comédia, apesar do tema ainda ser delicado, o diretor abusa da idéia de "buddy movie" - filmes com duplas de policiais ou detetives como protagonista. Isto significa, como sempre, uma história centrada no antagonismo de uma dupla, aqui formada pelo sério e reservado agente Gaylord Oakes (Anthony Hopkins) e o verborrágico espertalhão Jake Hayes (Chris Rock).

Assumindo essa postura, a sucessão de clichês é garantida. Afinal, quem ainda acha original uma demorada perseguição de carro ou o suspense criado antes de saber se o mocinho vai ou não conseguir desativar a bomba? Enfim, uma série de elementos tornam o enredo desinteressante, exceto talvez por algumas cenas de humor.

Nem ao menos a participação de Anthony Hopkins salva a produção. Até porque, seu papel não é nenhuma apoteose de interpretação. Seu talento é completamente desperdiçado pelo fraco roteiro. De qualquer forma, o passado do ator dá a ele todo o direito de errar.

Já Chris Rock, apesar de ser considerado o novo Eddie Murphy, mostra-se pouco versátil na telona. Ao contrário de sua atuação no hilário Saturday Night Live, o filme não exige nada do ator, além de decorar piadas prontas. E potencial não falta em Rock. Prova disso, é seu inesquecível trabalho na comédia O Império (do Besteirol) Contra-Ataca (2001), de Kevin Smith. Nela, faz o papel de Chaka Luther King, um diretor de cinema histérico, ativista na questão do preconceito contra os negros.

Por isso, além do carisma dos protagonistas, pouco se salva da nova produção de Joel Schumacher, que já fez coisas piores, como as seqüências do herói de histórias em quadrinhos, Batman Forever (1995) e Batman & Robin (1997).

Cineweb-30/8/2002

Rodrigo Zavala


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