Tempos de Paz

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País


Sinopse

18 de abril de 1945. O presidente Getúlio Vargas manda libertar todos os presos politicos. O torturador Segismundo recebe ordens de queimar os arquivos. No porto do Rio, onde ele decide que estrangeiros ficam ou não no Brasil, ele decide interrogar um imigrante polonês, o ator Clausewitz.


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Crítica Cineweb

13/08/2009

No cinema e na televisão, Daniel Filho tornou-se um sinônimo de sucesso comercial, por assinar filmes com altas bilheterias, como A Partilha (2001), Se Eu Fosse Você (06) e Se Eu Fosse Você 2 (08).

Com essa marca impressa, ele parte para um filme como Tempos de Paz, que sem dúvida tem uma marca bem mais sofisticada. O enredo adapta a premiada peça teatral Novas Diretrizes em Tempos de Paz, de Bosco Brasil, autor também do roteiro. Os dois atores principais, Tony Ramos e Dan Stulbach, repetem no cinema os mesmos papeis que defenderam no teatro.

Ramos é Segismundo, um policial que se descobre sem função no dia em que o presidente Getúlio Vargas liberta todos os presos políticos, em 18 de abril de 1945. Stulbach interpreta Clausewitz, imigrante polonês que tenta entrar no Brasil e tornar-se agricultor – apesar de antes só ter trabalhado como ator.

A ação se passa quase o tempo todo no porto do Rio de Janeiro, onde funciona um centro de triagem dos imigrantes que fogem das dificuldades geradas pela II Guerra Mundial. Segismundo é o responsável por decidir quem fica no Brasil. Quem não é aceito, é obrigado a seguir adiante, para tentar ser aceito em outros países, continuando uma sofrida peregrinação.

Os dois homens tem experiências opostas. Segismundo passou a vida como torturador e interrogador, fazendo o serviço sujo do Estado Novo. Clausewitz, em seu país, era um famoso ator. O que os dois compartilham é a decepção com suas profissões, entrando em crise com a própria história pessoal.

Segismundo se acha injustiçado porque, no novo contexto político, mais liberal, gente como ele deverá desaparecer nas sombras – e, antes, queimar os arquivos. A decepção do ator polonês é de outra ordem: ele deixou de crer na arte e na palavra depois de assistir, impotente, ao massacre de tantas pessoas por causa do nazismo. Inclusive em sua família.

Quando Segismundo decide interrogar Clausewitz (que já havia estudado um pouco de português), inicia-se um duelo em que, inegavelmente, o ator corre mais riscos – e sabe disto. Sua única vantagem é perceber mais facilmente, por experiência profissional, como mexer com as emoções de seu público. E Segismundo, neste momento, é um espectador que o desafia a levá-lo às lágrimas como condição para liberar seu visto de entrada.

O próprio Daniel Filho atua numa ponta, como um médico torturado por Segismundo que é solto e decide procurá-lo. No teatro, este personagem era apenas citado nas conversas entre os dois protagonistas.

O personagem de Stulbach é nitidamente calcado no ator e diretor polonês Zbginiew Ziembinski (1908-1978). Ator consagrado em seu país, ele desembarcou no Brasil em 1941, sem falar português. Poucos anos depois, tornou-se também aqui ator e diretor consagrado, responsável por exemplo, pela histórica primeira encenação de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, em 1943.

Ao final do filme, aliás, homenageia-se não só Ziembinski como diversos outros estrangeiros de várias profissões que acharam refúgio no Brasil fugindo do nazismo. Caso do escritor Otto Maria Carpeaux, da atriz Nydia Lícia e do crítico e teórico teatral Anatol Rosenfeld, entre outros.

Neusa Barbosa


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