Se Nada Mais Der Certo

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País


Sinopse

Léo é um jornalista sem muitas perspectivas na vida. Quando se alia ao misterioso Marcin sua vida começa a mudar. Wilson é um taxista melancólico que se une à dupla para aplicar alguns golpes - mas tudo pode dar errado.


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Crítica Cineweb

13/08/2009

“Só os idiotas estão seguros neste mundo”. Esta é a triste conclusão de Leo, um dos personagens centrais de Se Nada Mais Der Certo, que estreia no país nessa sexta-feira. O problema para Léo (interpretado por Cauã Reymond) é não ser um idiota e, por isso, ele não se sente seguro no mundo – ao contrário, vive num limite pueril.

Léo é um jornalista que ganha a vida com freelances, mal ou quase nunca pagos. Para piorar a situação, cuida de Ângela (Luiza Mariani, de O Passageiro – Segredos de Adulto), uma drogada em processo de recuperação, fazendo tratamento bem caro e com um filho pequeno para criar. Apesar de morar há algum tempo em São Paulo, Léo se sente estrangeiro em meio à selva de pedra.

Mas como em outros filmes do diretor José Eduardo Belmonte, como A Concepção e Meu Mundo em Perigo, inédito em circuito, as pessoas são capazes de criar vínculos mais fortes do que os familiares. Entram em cena o misterioso Marcin (vivido pela premiada atriz de curtas Caroline Abras) e o taxista Wilson (João Miguel, de Estomago).

Sobre Marcin, cujo nome não por acaso rima com a emblemática personagem da literatura brasileira Diadorin, de Guimarães Rosa, sabemos muito pouco. Vivendo de bicos no submundo, o rapaz (ou seria uma garota?) é bem relacionado e trafica drogas para se sustentar. Nesse universo, o filme cruza com figuras típicas da noite, como a travesti Sybelle (Milhem Cortaz, de A Encarnação do Demônio), que pode tanto ajudar quanto atrapalhar os personagens principais.

Curiosamente, Se Nada Mais Der Certo chega aos cinemas de todo País numa época politicamente tumultuada e reflete exatamente uma descrença no poder público e nos governantes. O roteiro, também assinado por Belmonte, captura com sagacidade o zeitgeist – o espírito do tempo, o momento em que vivemos – e como isso se reflete nas escolhas e opções da juventude, que parece estar de mãos atadas até tomar o poder. Essa inquietude constante dos personagens é o reflexo da instabilidade do mundo.

Dividido em partes, com títulos bem criativos, como “Pequenos infernos” ou “Não se Meta com Meus Inimigos”, o longa faz um retrato honesto da juventude em tempos de crise, quando restam poucas esperanças. Belmonte filma com vigor, fazendo uso de uma câmera que segue seus personagens com leveza e sagacidade. O uso da trilha sonora, tal qual em A Concepção, ilustra, acima de tudo, o estado de espírito dos personagens. Aqui, é a vez de Jimi Hendrix explodir na tela e nas caixas acústicas com “Little Wing”, num respiro de alegria dos personagens tão surrados pela vida.

O filme ganhou prêmios em diversos festivais – como melhor filme, no Rio, em 2008, e no Cine Ceará, em 2009. Em Se Nada Mais Der Certo tudo está muito bem articulado, desde o roteiro até a edição, passando pelo som e direção de arte, mas há dois aspectos que saltam à vista: Caroline Abras e a direção precisa de Belmonte. A interpretação da atriz é tão pungente que é difícil não se afeiçoar a Marcin, apesar de seus deslizes. A atriz consegue transmitir com tanta veracidade a fragilidade do personagem que, ao final do filme, temos vontade de o abraçar e dizer que pode contar com a gente se tudo der errado.

Alysson Oliveira


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