Bem-Vindo

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Calais, cidade francesa diante do Canal da Mancha, tornou-se ponto de passagem para vários imigrantes ilegais, que tentam alcançar a Inglaterra. Um deles é o jovem curdo Bilal, que sonha atravessar o canal a nado para rever a namorada, em Londres. Um professor francês de natação o ajuda - e passa a correr riscos, por causa das severas leis anti-imigrantes.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

08/07/2009

Bilal (Firat Ayverdi) é um jovem curdo que procura há meses chegar a Londres, para reencontrar a namorada, Mina (Derya Ayverdi). Acaba de parar em Calais, França, num campo de refugiados e não tem dinheiro ou permissão para seguir viagem. Simon (Vincent Simon), francês, professor de natação na mesma cidade, divorciado, sofre de um desespero parecido por amor – não consegue esquecer a ex-mulher, Marion (Audrey Dana).

O improvável encontro entre esses dois homens separados por tantas diferenças sociais e geográficas oferece a oportunidade para que o diretor Philippe Lioret construa em seu drama um dos melhores retratos de como se manifesta a intolerância contra os imigrantes nos dias de hoje na velha Europa, o continente que se considera o berço da cultura e da civilização mas que, a cada dia, está dando mostras de ter-se tornado ultimamente um reduto de reacionarismo.

Há um comentário político em cada cena do filme, mas ele não se traduz em nenhuma forma de discurso. O roteiro, de Olivier Adam e Emmanuel Courcol, cria contextos para seus personagens com riqueza de detalhes que traduzem verdades bem incômodas. Assiste-se à tentativa de Bilal e outros imigrantes ilegais de passar pela França, escondidos num caminhão, depois de subornarem seu motorista. Para passarem pela fiscalização, precisam enfiar sacos plásticos na cabeça e não soltar nenhuma lufada de ar fora dele por alguns minutos – caso contrário, os sensores dos fiscais identificam o gás carbônico liberado por sua respiração. Bilal não aguenta e, por isso, ele e os companheiros são presos e levados a um campo de refugiados. Não sem antes ganharem números gravados com tinta indelével em suas mãos que evocam a sinistra memória dos campos de concentração nazistas.

Temporariamente livres para circular na cidade de Calais, os imigrantes morenos são destratados a cada passo. São mesmo impedidos de entrar nos supermercados, ainda que mostrem seu dinheiro. Uma situação que perturba pessoas como Marion, a ex-mulher de Simon, uma voluntária que dá assistência a esses estrangeiros deslocados, sem futuro à vista.

Aparecendo na academia onde Simon leciona em busca de aulas de natação, Bilal tem um plano secreto: atravessar a nado o canal da Mancha e chegar a Londres a tempo de impedir o casamento arranjado para sua namorada pelo pai dela. De nada adianta o professor adverti-lo sobre os perigos da jornada, que dura 10 horas ou mais, em água gelada e sob risco da travessia de grandes navios.

O paralelismo sentimental entre os dois homens, que criam um vínculo de amizade que expõe a riscos o professor francês, é o ponto alto de Bem-Vindo – que recebeu os prêmios de Melhor Filme Europeu da Mostra Panorama (Júri Ecumênico) e o Lable Europa Cinemas no Festival de Berlim 2009.

Simon acaba por ter problemas com a lei, já que virou delito na França (como em outros países europeus) o ato de ajudar estrangeiros ilegais – simplesmente dar carona a um deles pode gerar multa e processo. Ao ser lançado na França, em março, o filme causou polêmica justamente por abordar as recentes políticas anti-imigração. Por conta do filme, o Partido Socialista francês redigiu um projeto de lei batizado de Welcome, título original desta produção, em que propõe a supressão do chamado “delito de solidariedade”. Tratam-se dos artigos L622-1 e L622-4 do Código de Entrada e Estadia de Estrangeiros, que penalizam com prisão de cinco anos e multa de 30 mil euros quem ajudar, transportar ou abrigar qualquer imigrante ilegal na França. Uma aberração jurídica que atenta contra os direitos humanos de todos, imigrantes ou não.

Neusa Barbosa


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