Horas de Verão

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País


Sinopse

Depois da morte da matriarca três irmãos precisam decidir o que fazer com o legado que ela deixou, que inclui uma casa de campo e diversas obras de arte. Enquanto decidem o que fazer com o legado, reexaminam suas vidas.


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Crítica Cineweb

02/07/2009

Este drama francês é essencialmente um filme sobre herança – tanto material quanto emocional. Escrito e dirigido por Olivier Assayas (Clean), começa com uma reunião da matriarca, Hélène Berthier (Edith Scob, de A Questão Humana), com seus filhos e netos para celebrar seu 75º aniversário, na casa de campo da família. Será o seu último.

Entre uma conversa e outra, ela insiste em falar na divisão de seus bens. Mas a vontade da mãe nunca está em sintonia com a de seus três herdeiros. O mais velho, Frédéric (Charles Berling, de Caos Calmo), a princípio não quer discutir o assunto. Quando Hélène morre, tratar da divisão dos bens será inevitável. Mas tanto ele como os irmãos terão dificuldades para entrar num acordo. Adrienne (Juliette Binoche, de Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada) mora nos Estados Unidos e o caçula, Jérémie (Jérémie Renier, de O Silêncio de Lorna), na China. Assim, nenhum dos dois tem interesse em manter a propriedade e as diversas obras de arte que a família acumulou ao longo dos anos, preferindo vender tudo e doar as peças mais valiosas para o Museu D’Orsay.

Horas de Verão questiona o valor de uma herança. Os três irmãos irão se reunir diversas vezes ao longo dos meses para discutir o que fazer. A vida e os relacionamentos, tal qual as obras de arte, se transformam com o passar do tempo. Diante de uma peça quebrada de Degas, que se encontra guardada há anos no fundo de um armário, alguém sentencia que já não é mais possível recuperá-la. Mais tarde, quando a mesma obra for vista na sala de restauração do museu quase completamente restaurada, ficará a lição de que nem tudo é definitivo na vida.

A história em torno desses personagens é simples, sem grandes discussões ou catarses. Os dramas pessoais são revelados aos poucos nos diálogos. O que mais interessa ao diretor e roteirista é a percepção da dinâmica familiar. O filme mostra que, após a morte da mãe, cada um dos irmãos tem a sua vida própria com pouco em comum.

O cineasta está tão interessado nas pessoas quanto nos objetos, que parecem ter vida própria. Boa parte das obras de arte da casa de campo da família pertenceram a um tio da matriarca, que praticamente paira como um fantasma sobre a família.

Horas de Verão faz parte de um projeto promovido pelo próprio Museu D’Orsay para comemorar seus vinte anos de existência. Mas, ao invés de fazer um filme para justificar a inclusão da instituição na história, Assayas preferiu discutir com naturalidade o peso e a importância do legado deixado pela família.

Construindo a trama em pequenos detalhes, numa atmosfera inspirada tanto no escritor russo Anton Tchekov como no cineasta francês Éric Rohmer, o diretor explora, acima de tudo, o estado do mundo globalizado, com a família separada em países diferentes e sem vínculos profundos. Se, num primeiro momento, Horas de Verão parece um filme pequeno, seus comentários sobre a perda, o legado e a família são capazes de tocar o espectador de forma profunda, mostrando que obras-primas podem esconder-se em pequenas embalagens.

Alysson Oliveira


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