Efeito Colateral

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Crítica Cineweb

18/02/2003

Esse foi o filme que o furibundo "crítico" Bin Laden impediu de ser lançado nos Estados Unidos na esteira dos atentados contra as torres gêmeas do World Trade Center, no dia 11 de setembro de 2001. A fita estava prestes a ser exibida quando os atentados terroristas levaram os produtores a suspender a estréia.

Havia motivos. Depois do pesadelo vivido pelos americanos, as imagens poderiam ser consideradas inconvenientes num momento tão delicado na vida do país. Também houve um primeiro momento em que esse tipo de filme sobre atentados terroristas em solo americano, que vinha proliferando com uma fecundidade impressionante, sofreu forte crítica da imprensa e da população. Até que ponto o próprio cinema estaria inspirando as ações dos terroristas? perguntavam vozes mais críticas.

Baixada a poeira e a fumaça dos escombros, quase cinco meses depois da tragédia, o filme, dirigido por Andrew Davis e estrelado por Arnold Schwarzenegger, estréia simultaneamente nos Estados Unidos e no Brasil. Para o brasileiro é mais um filme de ação, como outros exemplares estrelados pelo ator. No caso americano, será uma boa oportunidade para saber como o público reagirá: ignorará o chamado de Schwarzenegger ou, ao contrário, ajudará a aumentar ainda mais o patriotismo e o desejo de vingança, depois da vitória militar nos campos afegãos?

Em qualquer hipótese, a longa espera não privou o público de um bom filme. Schwarzenegger volta em seu papel habitual de brutamontes vingador, disposto a fazer justiça com as próprias mãos. Ele interpreta um bombeiro que teve mulher e filho mortos num atentado à bomba cometido por um terrorista disfarçado de policial de trânsito. Seu desejo de vingança o levará às selvas colombianas, onde enfrentará com as mãos nuas um exército de fanáticos dispostos a explodir prédios em solo americano para impedir que militares da CIA ajudem o governo da Colômbia no combate à guerrilha.

A coincidência de detalhes entre os atentados cometidos em 11 de setembro e os imaginados no filme são curiosos. Como na vida real, os terroristas da ficção possuem uma impressionante capacidade para entrar nos EUA sem serem incomodados e explodir prédios. Eles também possuem um discurso raivoso e táticas semelhantes para conseguir seus objetivos.

Mas o filme não perde a oportunidade de satanizar os sul-americanos, pintados como fanáticos e sangüinários terroristas, como El Lobo (Cliff Curtis), que não pensam duas vezes antes de atacar alvos americanos, mesmo que as vítimas sejam civis. Ele é casado com Selena (a bela Francesca Neri) e mergulhou de cabeça na luta contra os Estados Unidos, depois que agentes da CIA participaram da morte de sua única filha numa ação contra grupos guerrilheiros.

O bombeiro Gordy Brewer quer apenas vingar a morte de sua família no último atentado cometido por El Lobo. Ajudado por um antigo funcionário da CIA, toma algumas aulas de sobrevivência e parte para as florestas colombianas em busca do líder terrorista. Ao mesmo tempo, um funcionário do governo americano faz o possível para que o plano do bombeiro fracasse e ele acabe morto pelos extremistas. Essa seria uma boa forma de convencer o Senado dos EUA a autorizar o envio de forças militares para ajudar o governo colombiano a enfrentar o terror.

Mais caricato que os vilões colombianos só mesmo o visual ianque usado por Arnold Schwarzenegger para se embrenhar nas selvas: uma camisa branca de mangas curtas, para realçar os músculos e um ridículo chapéu Panamá que o tornam mais visível que um salsichão numa cervejaria de Munique.

Cineweb - 8/2/2002

Luiz Vita


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