Concorrência Desleal

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

13/01/2003

Um dos mais respeitados cineastas italianos, Ettore Scola, volta às telas com uma delicada e emocionante comédia dramática, Concorrência Desleal. Retomando o tema já explorado em Um Dia Muito Especial (77), a ascensão do nazi-fascismo na Itália, Ettore faz um retrato pungente do impacto que a política do período da II Guerra causou no cotidiano do povo italiano, sob a ótica de um garoto, Pietruccio (Walter Dragonetti).

Em 1938, o fantasma da guerra rondava a Europa e a aliança entre Mussolini e Hitler só fazia aumentar o terror. Scola utiliza, logo no início, a agitação da população de Roma com a visita do Führer a Itália. Mas, diferentemente de Um Dia Muito Especial, a história se desenvolve por alguns meses, o tempo suficiente para que muitos italianos percebessem o que estava por trás da adoção das leis raciais adotadas pelo ditador.

Umberto (Diego Abatantuono) é um alfaiate milanês, radicado em Roma, que enfrenta a concorrência de Leone (Sergio Castellitto), um lojista judeu, moderno para os padrões da época: vende roupas prontas e, portanto, com melhor preço. Agarrado à tradição de confeccionar trajes sob medida, Umberto nutre um rancor pelo vizinho que chega à beira do pastelão. E, para piorar seu mau humor e tornar a história mais saborosa, seu filho mais novo é amicíssimo do filho de Leone e o mais velho está, irremediavelmente, apaixonado pela filha de seu desafeto.

O comerciante antiquado tem princípios morais e éticos rígidos, mas numa das discussões com Leone deixa escapar o racismo que carrega escondido. Umberto, entre os vários insultos que faz ao vizinho, o chama de "judeu". Neste ponto, inicia a mudança. Ele percebe, com horror, que está impregnado pela propaganda fascista e começa a questionar sua vida e conceitos. O que era até então uma rabugenta briga passa a ter um caráter de compaixão e ternura, consolidado entre os escombros da perseguição sofrida pelo povo judeu. Toda essa conscientização, em tom cômico, acontece à sombra da cúpula da Basílica de São Pedro. Uma imagem perturbadora, que sempre aparece nas cenas de rua, representando a onipresença da Igreja Católica, com sua participação omissa durante o período.

Scola mostra, com extrema simpatia, o dia-a-dia de uma pequena rua de Roma - construída nos estúdios da Cinecittá - e personagens muito bem estruturados. O universo do filme representa a quase totalidade da população italiana, com a utilização de vários dialetos: o toscano do burocrático policial, o vêneto da empregada de uma das famílias, o milanês de Umberto, o romano de Leone e o forte sotaque estrangeiro do relojoeiro, um conde do Leste europeu fugido do comunismo. A única nota dissonante é justamente o forte sotaque francês de Gérard Depardieu interpretando um professor italiano antifascista e irmão de Umberto. De resto, são quase duas horas de absoluto encantamento.

Ana Vidotti


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança