Milagre em Sta Anna

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País


Sinopse

Em 1944, um grupo de soldados afro-americanos se refugia numa região da Toscana onde não há soldados alemães. Lá eles conhecem um garoto doente que só conversa com um amigo invisível.


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Crítica Cineweb

29/04/2009

O diretor americano Spike Lee volta com todo o engajamento político-social em seu mais recente filme, Milagre em Sta. Anna. Baseado no livro homônimo do escritor James McBride, que assina o roteiro desta produção, o filme conta a história dos soldados americanos da Divisão Búfalo, formada exclusivamente por negros, que combateram a invasão nazista na Toscana, Itália, durante a II Guerra Mundial.

A história, no entanto, começa na década de 1980, quando um ex-combatente dessa divisão, o cabo Hector Negron (Laz Alonso, de Velozes e Furiosos 4) , dispara inexplicavelmente em um homem na fila de uma agência de correio. Percebe-se que Negron reconhece a vítima, mas como entra em estado de choque após assassiná-lo, tanto a polícia quanto o espectador ficam sem respostas.

Mais surpreendente do que o próprio assassinato, tal como a antiga pistola usada no disparo, foi a relíquia encontrada por investigadores na casa de Negron, cujo valor de marcado superava US$ 5 milhões. Embrulhada em um plástico qualquer e jogada dentro de um armário, descobriram a cabeça de um monumento renascentista, que adornava uma célebre ponte suspensa italiana, datada do século XVI.

Evidentemente, todas as respostas levam para os dias em que Negron e outros três companheiros de infantaria se arriscaram ao resgatar o jovem Angelo, uma criança italiana de oito anos, sem memória e ferida por uma bomba nazista. Deixados para morrer por incompetência de seu comandante racista, eles precisam conviver com os habitantes da pequena cidade de Lucca, então cercada pelo exército alemão.

O interessante do roteiro é que o massacre nazista de Sant´Anna di Stazzema, ocorrido no dia 12 de agosto de 1944, que dá origem ao livro, é retratado de forma secundária na produção. A morte de quase toda a população da cidade, chacinada pelos alemães, é mostrada em flash backs por um dos personagens, apesar dos vínculos diretos sobre os acontecimentos em Lucca.

Como era de se esperar, Spike Lee se vale dos mesmos expedientes usados em O Plano Perfeito (de 2006), para delinear sua crítica racial. Ao fazer de todos os não-negros vilões – ou pelo menos pessoas mesquinhas e traiçoeiras - o cineasta de Faça a Coisa Certa e Malcolm X é incisivo em suas críticas sobre as relações interraciais.

Embora seja um filme menor da carreira de Lee, que erra ao apelar para um desfecho fraco e inexpressivo, o diretor consegue aproveitar competentemente o humor e o drama presentes na trama. Destaque para o sensível personagem Sam Train (Omar Benson Miller, de Coisas que Perdemos pelo Caminho), cuja relação com os companheiros de infantaria e com o jovem Angelo é um dos melhores momentos do filme.

Rodrigo Zavala


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