Dívida de Sangue

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Crítica Cineweb

17/02/2003

Clint Eastwood é um dos últimos heróis solitários do cinema. O homem que jamais trai seus ideais. Contra tudo e, na maioria das vezes, contra quase todos. O lobo guardião de seu território está sempre a postos, mas não se espere neste filme, Dívida de Sangue, um herói durão como Dirty Harry.

Ele já amadureceu o suficiente - depois de Bird (88), revitalizou o faroeste com Os Imperdoáveis (92), entre tantas outras boas produções nos últimos anos. Clint, depois de também passar pelos faroestes de Sergio Leone, aprendeu que deixar a emoção fluir não é sinônimo de fraqueza, mas um claro sinal de amadurecimento. Este não é o seu melhor filme, mas nem por isto há que se desconsiderá-lo. Numa direção segura, Clint pode, mais uma vez, desenvolver um personagem além da correria e violência tão comuns nos atuais filmes policiais.

O agente do FBI Terry McCaleb (Eastwood) sofre um ataque cardíaco em plena caçada a um serial killer. Após passar por um transplante e bastante debilitado pela cirurgia, vê-se diante de um dilema. É contatado por Graciella (Wanda de Jesús), irmã de uma jovem assassinada e que, não por acaso, foi a doadora do seu novo coração. Apesar da proibição de sua médica (Anjelica Huston), ele resolve ajudar aquela mulher desesperada. O sentimento de dívida o impulsiona a desvendar o crime, mesmo estando aposentado.

O roteiro mantém o suspense presente no livro de Michael Connelly e acentua as pitadas de humor, principalmente na relação de McCaleb e Buddy Noone (Jeff Daniels), um ex-surfista quarentão que não quer saber de trabalho, apenas viver a vida dentro de seu barco, vizinho ao do ex-policial. Mas o bon vivant deixará o ócio para ajudar o amigo na caça ao assassino da mulher, trabalhando como seu motorista. Mas a investigação, a cada passo, torna-se mais e mais intrincada. E nem tudo é como aparenta ser.

Entre discussões com os policiais responsáveis pelo caso e sua saúde frágil, McCaleb vê-se, ainda, às voltas com outros problemas - o envolvimento emocional com Graciella e a possibilidade de estar se confrontando novamente com o serial killer que o levou ao enfarto. E Clint dá consistência a este personagem carregado de dúvidas existenciais, sem perder o ritmo, seja como ator, seja como diretor.

Cineweb-8/11/2002

Ana Vidotti


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