Os Delírios de Consumo de Becky Bloom

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Sinopse

A jornalista Becky Bloom acaba de perder o emprego e tem dívidas enormes. Consumista inveterada, seus problemas só estão começando. Um trabalho numa revista especializada em finanças pode ser sua grande chance.


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Crítica Cineweb

08/04/2009

Está aqui um filme para os tempos de crise, ideal para aqueles que sonham com saídas românticas para a recessão. Baseado na popular série britânica de livros de Sophie Kinsella, o filme tem como protagonista uma garota fútil e consumista cujo sonho é resolver miraculosamente seus problemas financeiros, que não são poucos.

Diferente dos livros, a ação não se passa em Londres, mas em Nova York, onde a personalidade consumista de Rebecca Bloomwood, mais conhecida como Becky Bloom (Isla Fisher, de Penetras Bons de Bico), parece mais à vontade. A personagem é uma compradora inveterada que não pensa duas vezes antes de sacar um de seus cartões de crédito e gastar.

Jornalista desempregada, Becky sonha em trabalhar numa revista de moda, dirigida por Alette Naylor (Kristin Scott Thomas, de A Outra). Mas acaba conseguindo um trabalho numa publicação especializada em finanças – o que é um tanto paradoxal, afinal, ela mal consegue administrar seu dinheiro, sendo constantemente perseguida por cobradores.

No fundo, Os Delírios de Consumo de Becky Bloom é um filme sobre uma mulher que começa a se entender melhor apenas quando decide que é hora de lidar com seu maior problema, seu consumismo desenfreado. Para controlar a situação, Becky procura um grupo de ajuda de Consumistas Anônimos, no qual pessoas se reúnem para ajudarem umas às outras a livrar-se da tentação que grita em cada vitrine.

Por mais engraçada que possa ser a premissa do filme, o tratamento superficial da personagem – na verdade, do sexo feminino em geral, pois nenhuma mulher do filme é muito normal – busca ridicularizar apenas, poucas vezes procurando um lado humano na personagem. Pode parecer divertido imaginar duas mulheres brigando por um par de botas – mas, na tela, o resultado é um pouco constrangedor.

Todos os clichês que apontam nas primeiras cenas materializam-se mais tarde, como é o caso do editor romântico e rico (Hugh Dancy, de Ao Entardecer), que inevitavelmente cairá pelo charme de Becky, ou a jornalista malvada da publicação de moda (Leslie Bibb, de Homem de Ferro) que irá puxar o tapete da heroína para defender seus próprios interesses.

Justiça seja feita – impossível imaginar o longa sem Isla Fisher. Até agora coadjuvante em filmes como Três Vezes Amor e Penetras Bons de Bico, aqui ela tem a chance de mostrar um pouco mais. A atriz firma-se como uma comediante promissora – a personagem provavelmente seria insuportável se interpretada por alguém menos talentosa. Mas merecia um filme melhor – coisa que o diretor P. J. Hogan (O Casamento de Meu Melhor Amigo) já provou que é capaz de fazer com O Casamento de Muriel e Peter Pan.

Alysson Oliveira


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