O Visitante

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País


Sinopse

Ao chegar ao seu apartamento de Nova York, onde dará uma palestra, um professor universitário encontra dois imigrantes ilegais instalados no local. Depois de algumas diferenças, eles se tornam amigos. As novas políticas de imigração dos EUA dificultarão a vida do casal de estrangeiros.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

12/03/2009

No início de O Visitante, Walter Vale, interpretado por Richard Jenkins, é apresentado de forma sutil: ele está tentando aprender a tocar piano. A professora, uma senhora idosa e paciente, não quer parecer pessimista, mas confessa ao aluno que ele não leva muito jeito com o instrumento. E, na idade dele, o aprendizado se torna mais difícil.

Vale tem um semblante melancólico e, aos poucos, o diretor e roteirista Thomas McCarthy (O Agente da Estação) libera mais informações sobre o personagem: viúvo e professor universitário, ele leciona apenas uma disciplina no semestre, pois quer se dedicar ao projeto de um livro. Mas não é isso o que vemos. Ele anda de um lado para o outro, sempre triste, sem ânimo nem para curtir a sua dor.

Uma viagem a Nova York mudará esse estado, pois ao chegar ao seu apartamento – que não visita há anos – encontra um jovem casal de imigrantes ilegais que ocupa o imóvel sem que ele saiba. O sírio Tarek (Haaz Sleiman) e sua namorada senegalesa Zainab (Danai Gurira) dizem tê-lo alugado de uma pessoa que o proprietário não conhece. Mas concordam em sair sem alarde para evitar que Vale chame a polícia. Mais tarde, o professor muda de idéia e, ao vê-los na rua, convida-os para ficar na casa até que encontrem outro lugar.

Embora O Visitante siga mais ou menos o caminho da previsibilidade, o desempenho de Jenkins, indicado ao Oscar 2009, consegue prender a atenção do espectador mais do que o desenrolar dos fatos. Em sua carreira, este ator norte-americano enriqueceu, de forma discreta, inúmeros personagens coadjuvantes, seja em séries de TV, como o pai agente funerário da série A Sete Palmos, que morre no primeiro capítulo, ou no recente Queime Depois de Ler, no qual é colega de trabalho de Brad Pitt numa academia. Aqui, no entanto, ele tem a oportunidade ser o protagonista e elevar o filme a um patamar superior.

A amizade entre Vale e Tarek – Zainab sempre é mais reservada e teme que o americano possa prejudicá-los – mudará a vida do professor. O rapaz, que é músico, ensina-lhe a tocar tambor africano e lhe demonstra sua aptidão para a música, contrariando a opinião da professora de piano. No entanto, a prisão do sírio, por um motivo banal, colocará o protagonista numa verdadeira via crúcis para tentar sua libertação e um visto de permanência no país.

Enquanto trabalha o perfil de Vale, o filme consegue bons momentos e profundidade. Porém, quando a questão política toma a tela, o diretor e roteirista McCarthy mostra certa ingenuidade.

O foco do longa é a política de imigração nos Estados Unidos pós-11 de Setembro. A forma como o filme lida com o assunto é um pouco óbvia – excesso de imagens da Estátua da Liberdade e panfletos em vários idiomas colados pelos postes da cidade. Uma frase em especial, dita pelo personagem de Jenkins, parece resumir o espírito do filme: “Nós não somos crianças indefesas”. Realmente, não é esse o caso, mas aqui os americanos surgem mais como crianças inocentes.

Um pouco mais de realismo e sagacidade entram em cena com a mãe de Tarek, vivida pela atriz israelense Hiam Abbas (Munique, Free Zone) que sai de sua cidade no interior dos EUA e vai para Nova York tentar ajudar o filho. Quando ela chega, o personagem central já está no seu processo de transformação e, com isso, os laços criados entre os dois salvam o filme de seu próprio excesso de boa vontade.

O Visitante levanta questões que precisam ser debatidas e, por isso, já ganha pontos. É uma pena que não vá a fundo no que quer discutir. O mais marcante é realmente a performance de Jenkins.

Alysson Oliveira


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