Frost/Nixon

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Sinopse

Em 1977, faz 3 anos que Richard Nixon renunciou à presidência dos EUA. Recluso, ele nega qualquer contato com a mídia. Até ser assediado por David Frost, um apresentador de televisão inglês e que lhe parece ideal para ser manipulado. As aparências enganam.


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Crítica Cineweb

05/03/2009

“Eu decepcionei o povo americano”. Esta é uma das frases mais famosas do ex-presidente norte-americano Richard Nixon e foi dita durante uma entrevista bombástica concedida ao jornalista britânico David Frost. O drama Frost/Nixon recria o contexto e a famosa entrevista, que foi ao ar pela televisão em 1977.

Partindo de uma peça de teatro do inglês Peter Morgan (A Rainha), roteirizada por ele mesmo, o diretor Ron Howard (O Código DaVinci) consegue ir além de um mero teatro filmado ao injetar humanidade em seus personagens. Os protagonistas, que dão nome ao filme, são vividos por Michael Sheen (A Rainha) e Frank Langella (Superman Returns), que já haviam interpretado os mesmos papéis nos palcos.

Após renunciar à presidência de seu país, em 1974, depois do escândalo de Watergate, Nixon saiu de circulação por três anos. Só em 1977 aceitou participar de uma série de entrevistas concedidas ao inglês David Frost, cobrando US$ 600 mil, mais 10% dos lucros da transmissão.

A entrevista, porém, representa interesses bem distintos para as partes envolvidas. Frost, mais conhecido como um showman um tanto sensacionalista e nada sério, vê no programa a chance de estabelecer uma reputação, pensando em dar ao ex-presidente “o julgamento que ele nunca teve”. Nixon, por sua vez, acredita que poderá manipular facilmente o entrevistador – o que parece bem próximo da verdade – e sair com sua imagem retocada.

Para isso, ambos se armam, com a ajuda de uma comitiva de assessores específicos para não falarem nenhuma bobagem – embora Nixon nem sempre dê ouvidos aos seus. Frost tem ao seu lado os jornalistas Bob Zelnick (Oliver Platt, de Kinsey – Vamos Falar de Sexo) e James Reston Jr. (Sam Rockwell, de O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford), cujo ódio pelo ex-presidente parece buscar numa vingança pessoal.

A preparação para a entrevista – o momento climático do filme – acontece como se dois adversários treinassem para uma luta. Ao invés de corridas, flexões e socos em sacos de pancadas, eles fazem pesquisas e pensam em como se aproveitar do adversário para levá-lo a nocaute.

Frost/Nixon cresce aos poucos, à medida que se aproxima o momento da gravação e ganha força quando a entrevista acontece. O que acompanhamos é um embate entre duas pessoas dispostas a sair vitoriosas – não uma simples entrevista entre um jornalista e um político.

O filme foi indicado a cinco Oscar (filme, diretor, ator, roteiro adaptado e montagem), mas não ganhou nenhum – embora Langella fosse um dos favoritos em sua categoria. Frost/Nixon é um filme que olha para o passado distante, sem deixar de ter uma relação com o passado recente. Afinal, Nixon não foi o único presidente a decepcionar os americanos. A história mostra mais uma vez como política e entretenimento andam, muitas vezes, de mãos dadas.

Alysson Oliveira


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