Dias de Nietzsche em Turim

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Crítica Cineweb

14/02/2003

"Se forem pacientes e tolerantes vocês vão sentir algum prazer, em algum momento." A declaração de Júlio Bressane, na última edição do Festival Rio BR de Cinema, isentou Dias de Nietzsche em Turim de acusações como letargia e incoerência. Preocupação cabível a do diretor, tendo em vista o caráter experimental de sua obra somado à complexidade dos textos do filósofo alemão.

A fita focaliza o fértil período intelectual de Friedrich Nietzsche (1844-1900), entre abril de 1888 e janeiro de 1889, ocorrido na cidade italiana de Turim onde, já completamente louco, foi encontrado aos prantos, abraçado a um cavalo ferido. Filho de um pastor luterano e monarquista convicto, Nietzsche foi, aos 34 anos, afastado da Universidade da Basiléia, na Suíça, e passou a tatear, já que padecia de uma miopia de 15 graus, as paredes de diversas pensões em locais como Gênova, Veneza, Sorrento, Turim ou Nice (França).

O filósofo envereda pelas ruas das cidades européias, enquanto seus pensamentos perdem-se em busca de "um olhar diferente do que até agora se filosofou". Bressane vai atrás desses devaneios, munido de três câmeras diferentes. A primeira agrupa imagens em super-8, na qual capta a cidade italiana, com fixação em pequenos detalhes como ladrilhos e pormenores arquitetônicos, como se quisesse enfatizar o que o próprio filósofo apreciava nas coisas. Em preto-e-branco, o diretor se apóia em ângulos menos convencionais, dando preferência à imagens vistas do alto. E, com a última câmera, focaliza os atores, cuja a pouca ação se concentra em cenários escassos e, em alguns momentos, exibe até um viés cômico, amparado na bigodeira que Nietzsche fazia questão de cultivar.

Essa heterogeneidade faz de Dias de Nietzsche em Turim uma experiência cinematográfica positiva que recompensa o paciente espectador com iluminadas reflexões existenciais, que revelam um homem em constante conflito, o qual exterioriza esse sentimento de maneira muito sensível. "...Sim já sei de onde venho...tudo o que tocam as minhas mãos se torna luz e o que lanço não é mais do que carvão. Certamente, sou uma chama!" . Ser Nietzsche, eis a razão.

Cineweb - 12/4/2002

Luara Oliveira


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