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Crítica Cineweb

14/02/2003

Só um grande ator, como Denzel Washington, não perderia de vista a dimensão humana de um personagem tão perverso quanto o policial Alonzo Harris, o protagonista desta história violenta e sombria, que mergulha no universo da corrupção policial - um tema que, como se vê, não preocupa só aos brasileiros.

Alonzo é a mais bem-acabada encarnação do mal, alguém que já perdeu sua alma e está firmemente empenhado em corromper a dos demais. Definido assim, o personagem parece condenado a virar um vilão de história em quadrinhos. Nada mais falso. Denzel Washington utiliza pouco a pouco todo seu arsenal de recursos dramáticos e mostra porque é hoje, aos 47 anos, um dos principais intérpretes americanos - embora em sua prateleira até agora só figure um Oscar de ator coadjuvante, por Tempo de Glória (89).

Ganhe ou não sua merecida estatueta aqui - que ele já poderia com justiça ter levado em 2000 por Hurricane - O Furacão - o prestígio do ator sobreviverá incólume. É um enorme prazer vê-lo dominar o papel, desvelando suas inúmeras camadas, bem como as nuances de uma história com potencial para tornar-se maniqueísta, ainda mais diante da insistência com que o mundo da violência policial é retratado tanto no cinema quanto na TV. Por sorte, os atores, não só Washington, não caíram nesta armadilha.

O diretor de terceira viagem, Antoine Fuqua, prova ter definitivamente superado alguns vícios trazidos do mundo do videoclipe e da publicidade, de onde veio, para confiar mais no aprofundamento dramático de sua história e de seus personagens. Prova, enfim, estar se tornando um melhor condutor de atores, já que sua habilidade para retratar ambientes e criar climas ficou estabelecida desde seu longa de estréia, Assassinos Substitutos (98).

A ação concentra-se no primeiro dia de trabalho de um jovem policial interiorano, Jake Hoyt (Ethan Hawke), ao lado do parceiro Alonzo (Washington), um experimentado agente de repressão aos entorpecentes de Los Angeles. Nesse único dia em ruas infestadas de gangues e violência de toda espécie, Jake faz a jornada mais radical de descoberta da realidade, especialmente porque não domina a informação principal: qual é a verdadeira natureza de seu parceiro, a quem assiste intimidando traficantes em seus próprios domínios e ficando com o dinheiro deles no próprio bolso.

Por melhor que Washington se mostre no papel principal, o filme sofreria muito se Ethan Hawke (também indicado ao Oscar de coadjuvante) não se mostrasse à altura no jogo de dominador-dominado que prepara reversões de expectativa em algum ponto da história. Hawke, que despontou como um talento promissor em Sociedade dos Poetas Mortos (89), há muito não vem escolhendo papéis que lhe proporcionem maior repercussão, o que permitiu, por muito tempo e com bastante razão, que se pudesse duvidar de suas credenciais como intérprete. Entrando na maturidade, aos 30 anos, Hawke parece decidido a mudar de rumo profissional.

Cineweb-15/3/2002

Neusa Barbosa


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