Operação Valquíria

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 4 votos

Vote aqui


País


Sinopse

Cansados dos crimes cometidos pelos nazistas, um grupo de militares alemães se reúne para tramar a morte de Hitler, em 1944. Entre eles, está o coronel Claus von Stauffenberg, um dos idealizadores do plano. O filme é baseado em fatos reais.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

12/02/2009

Se há um fascínio inerente a uma história cujo final já se conhece, é imaginar o que teria acontecido ao mundo se tivesse dado certo a frustrada tentativa de assassinato de Adolf Hitler de 20 de julho de 1944. Ao menos um ano da II Guerra Mundial simplesmente poderia ter sido apagado, bem como os consequentes sofrimentos e mortes causados. Se tivessem sido libertados antes, quantos prisioneiros de campos de concentração poderiam ter sobrevivido, sem contar os que foram deslocados a esses locais de extermínio até o final efetivo da guerra, em 1945 ? Isso tudo deixando de lado as acomodações geopolíticas entre as nações em guerra, que poderiam ter sido muito diferentes.

Operação Valquíria move-se nesse terreno pantanoso entre a imaginação e a memória. E o habilidoso diretor Bryan Singer (Os Suspeitos e as duas primeiras edições de X-Men) encontra meios de criar suspense em diversas sequências deste filme, que reconstitui os passos da mais famosa entre as 15 tentativas de matar Hitler – por ter sido a que chegou mais perto do sucesso e que gerou o maior número de prisões (700) e execuções (200) na esteira do seu fracasso.

Não deixa de ser mais ou menos raro também olhar de perto alemães, oficiais de alta patente e alguns políticos, que discordavam dos rumos do nazismo – que, no cinema, ao menos, vem satanizando implacavelmente aquela nação por conta da II Guerra há várias décadas.Operação Valquíria vem lembrar que alguns alemães arriscaram a própria pele para mudar a direção daquela hedionda política de nacionalismo fanático e eliminação de dissidentes e judeus.

O coronel e conde Claus von Stauffenberg (Tom Cruise) é um desses opositores. Herói de guerra (perdeu um olho, uma das mãos e dois dedos da outra em batalha), de origem aristocrática, católico, há tempos renega o regime nazista. Em 1944, especialmente depois da invasão da Normandia pelos Aliados, em junho, não é preciso ser vidente para perceber que a Alemanha caminha para uma fragorosa derrota militar. Vários militares sabem disso, caso não só de von Stauffenberg, como dos generais Tresckow (Kenneth Branagh), Ollbricht (Bill Nighy) e Beck (Terence Stamp). Alguns chegaram mesmo a prudentemente advertir a cúpula, mas não foram ouvidos.

Esse grupo de oficiais de carreira, que não pertencem à temida SS – administradora dos campos de extermínio –, idealiza, então, um sofisticado plano não só para matar Hitler com uma bomba, como para tomar controle da máquina de Estado usando seu próprio Exército de Reserva. Este é formado pelas tropas de prontidão para defender Hitler e Berlim no caso de um ataque dos Aliados. Pelo plano dos rebeldes, o Exército de Reserva será acionado depois da morte de Hitler, recebendo ordens de desarmar e prender todos os oficiais da SS e seus principais lugares-tenentes, caso de Himmler e Goebbels. Um novo governo provisório seria formado com líderes de confiança, procurando um armistício com os Aliados.

O engenhoso plano, como se sabe, vai até o fim. E são particularmente eletrizantes momentos como uma primeira tentativa frustrada de atentado – em que Tresckow coloca uma bomba numa garrafa de Cointreau que embarca no mesmo avião que Hitler, mas falha. Outros bons momentos estão no frenético esforço de von Stauffenberg de montar um detonador; e na própria colocação da bomba no bunker hitlerista, de que o coronel se encarregou.

Se há algo que pesa contra o filme, porém, é sua contaminação, em mais de um momento, pela necessidade imposta de expor um tanto vaidosamente seu ator-produtor Cruise, bem como de inserir alguns clichês sentimentais – caso do adeus do coronel à sua esposa, a mão que ela passa na barriga para enfatizar sua nova gravidez e, o pior de tudo, o espalhafatoso momento da execução do herói. Muito se beneficiaria o filme de um tipo de sobriedade e contenção como as do ainda inédito Katyn, de Andrzej Wajda – que contém uma das cenas de execução mais secas e contundentes vistas nos últimos tempos.

Neusa Barbosa


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança