O Lutador

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Sinopse

Randy "The Ram" Robinson é um lutador de luta livre em plena decadência. Sofrendo do coração, ele precisa parar com essa profissão. Mas não se encaixa em nenhuma outra. Ele tenta suas últimas chances no ringue e na vida real, com uma mulher e a filha, que não vê há anos.


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Crítica Cineweb

12/02/2009

O Festival de Veneza é palco de grandes lembranças para o diretor Darren Aronofsky. Em 2006, pelas vaias – merecidas- que teve de ouvir contra o desastroso A Fonte da Vida. Um filme que fez pensar que seu talento, revelado em Pi (98) e Réquiem para um Sonho (2000), havia se esgotado.

Na edição de 2008 do mesmo festival, Aronofsky renasceu íntegro desse desastre com a consagração de O Lutador, que não só arrancou aplausos desde sua primeira sessão como venceu o Leão de Ouro. O outro fênix que renasceu brilhantemente das cinzas com este filme poderoso foi seu protagonista, Mickey Rourke.

Na pele de Randy “the Ram” Robinson, brilha um Mickey Rourke irreconhecível, fisicamente destruído, aparentando mais do que os seus 56 anos, com longos e desgrenhados cabelos louros, que em nada lembra o galã do hit sensual Nove e Meia Semanas de Amor (86) e o jovem ator promissor de O Selvagem da Motocicleta (83) . Um detalhe que serve à perfeição ao seu personagem, um lutador de luta livre envelhecido, doente e com carreira e vida pessoal em queda livre. É a volta por cima de Rourke, também, cuja carreira mergulhou no ocaso há anos, apesar de alguns ocasionais bons momentos, como a participação em Sin City (05).

A tragédia deste perdedor de coração sincero vem conquistando, como seria de se esperar, prêmios e indicações. Rourke arrebatou um Globo de Ouro, um Bafta da Academia Britânica e vários prêmios de associações de críticos, como Chicago, San Francisco, Boston, Kansas City e Flórida, além de uma indicação ao Oscar de melhor ator. O filme teve ainda uma segunda indicação para a coadjuvante Marisa Tomei.

Voltando ao melhor de sua forma como diretor, Aronofsky extrai notas sublimes de um roteiro simples e intenso, escrito por Robert S. Siegel. Randy Robinson, conhecido nos ringues como “The Ram” (o carneiro), vive os últimos tempos de sua carreira de lutador de luta livre. Seu coração está falhando e o corpo está cansado. Ele precisa encontrar outra profissão. Mas em nenhuma outra ele se encaixa.

Sua vida emocional está encerrada em outros dilemas. Há muitos anos ele perdeu contato com a única filha, Stephanie (Evan Rachel Wood), hoje universitária. A ausência do pai acumulou rancores no coração da moça e parece tarde demais para construir uma ponte agora. Mas Randy está disposto a tentar.

A vida afetiva de Randy, que declinou na mesma medida de seus sucessos no ringue, agora está reduzida a um relacionamento platônico com uma stripper, Cassidy (Marisa Tomei). Que aliás se chama Pam, tem um filho e alimenta um medo enorme de novas decepções amorosas. Como Stephanie, ela também não parece disposta a dar uma chance a Randy.

Um acerto do filme é mostrar em detalhes o ambiente dessas lutas livres arranjadas, seus ginásios e competições de segunda linha, seus competidores decadentes, gastando-se até a última gota de sangue e suor – porque as quedas e pancadas, muitas vezes usando cadeiras e barras de ferro, por mais encenadas que sejam, cobram, afinal, o seu preço dos músculos, dentes e ossos. Observando esses bastidores, descobre-se o lado melancólico desse mundo, planejado como um show cômico, mas extraindo a energia vital de seus “artistas”. Alguns, como Randy, podem não sobreviver à próxima luta. Mas, sem ela, como sobreviver e pagar as contas?

Trata-se, enfim, de um dilema muito realista e atual e que, a partir da própria aparência de Rourke – que lutou boxe e tomou esteroides na vida real – alcança uma assustadora e dolorosa verossimilhança.

Em seu agradecimento ao diretor, que o colocou novamente no centro do grande jogo do cinema mundial, em Veneza, Rourke, aliás, não podia ter sido mais sincero: “Joguei minha carreira para o alto há 15 anos e não a retomei até há muito pouco tempo. É muito duro este sentimento de não ter realizado nada na vida e não ter ninguém mais a quem culpar além de você mesmo, como acontece com Ram, que é um caos completo”.

A Academia de Hollywood adora este tipo de história, embora Darren Aronofsky, a bem da verdade, economize no tom. O Lutador não é piegas, nem mesmo sentimental, apenas emotivo.

Neusa Barbosa


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