O Leitor

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 1 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

Michael é um jovem de 15 anos que se envolve com uma mulher mais velha, Hanna. Um dia, ela o abandona sem explicação e foge de Berlim. Anos mais tarde, agora estudando direito, ele a reencontra sendo julgada por ter sido guarda no campo de Auschwitz.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

05/02/2009

Pela sua atuação neste drama, a atriz inglesa Kate Winslet recebe a sua sexta indicação ao Oscar e finalmente venceu. Embora tenha ganhado o Globo de Ouro como atriz coadjuvante por esse drama, no prêmio da Academia ela ganhou como protagonista.

Kate é Hanna Schmitz, uma alemã cobradora de bonde que na década de 1950 tem um relacionamento com um jovem de 15 anos, chamado Michael Berg (o ator alemão David Kross). O romance entre os dois é tórrido. O rapaz envolve-se profundamente, pois este é seu primeiro grande amor. Mas, para ela, o caso parece não ir além do sexo.

Hanna e Michael passam muito tempo juntos, ora namorando, ora lendo. Na verdade, é ele quem lê para ela, livros como A Odisséia, As Aventuras de Huckleberry Finn e contos de Tchekhov. Repentinamente, um dia ela o abandona, deixando Berlim. O rapaz cresce atormentado por essa perda. Isso o traumatizou tanto que, décadas depois, ele não consegue estabelecer vínculos com as pessoas – conforme diz para a filha.

Michael só reencontra Hanna anos mais tarde, quando ele, estudante de direito, assiste a um julgamento da ex-carcereiras do campo de concentração de Auschwitz. Para sua surpresa, Hanna está entre as rés. Nesse momento, O Leitor levanta duas questões sobre a culpa. A primeira tem a ver com o Holocausto. A segunda, e mais interessante, transcende ao jogar para cima de Michael uma dúvida cruel: ele tem uma informação capaz de inocentar Hanna – mas se a revelar, poderá ajudar uma possível culpada por crimes nazistas a escapar ou ter reduzida sua pena. Além de ter de expor publicamente seu relacionamento juvenil com a ré.

Essa ambiguidade poderia muito bem servir de metáfora para a omissão diante dos horrores nazistas: a busca por um bode expiatório. Michael, assim como o autor do livro no qual o filme é baseado, Bernhard Schlink, pertence à geração que passou pela adolescência na época da ascensão do nazismo. Eles podiam não entender o que acontecia – mas seus pais, mais cedo ou mais tarde, ficaram cientes dos horrores e a maioria se omitiu.

Anos mais tarde, quando Michael – agora vivido por Ralph Fiennes – reencontra uma sobrevivente de Auschwitz e revela a ela o segredo de Hanna - o analfabetismo - a mulher (Lena Olin) pergunta se isso é uma explicação ou uma desculpa. Não há resposta da parte dele – o que não é uma surpresa, pois a questão é mesmo da maior complexidade.

O diretor inglês repete a parceria de As Horas com o roteirista David Hare, conseguindo melhores resultados na primeira parte – o tórrido romance entre Hanna e Michael – do que nos dois atos finais, o julgamento e a tentativa de Michael de reparar seu erro. Talvez porque no princípio do filme haja mais força na história e mais interesse do que quando derrapa na vala comum de filmes de tribunal.

O dilema moral do personagem Michael não deixa de deslocar-se para o filme em si. Pela enésima vez, os horrores do Holocausto servem de pretexto para investigar os horrores de que o ser humano é capaz. Mas esse gênero de drama começa a dar sinais de cansaço, levantando uma questão involuntária: até que ponto vale explorar uma ferida histórica como mera desculpa para um filme que nada tem de novo a acrescentar ou questionar ? No fundo, a presença do Holocausto soa como um pano de fundo com vocação garantida para encontrar boa vontade no público – que pode sair do cinema achando ingenuamente que aprendeu mais uma lição sobre a História – e nos votantes do Oscar que têm, como é bem sabido, uma queda pelo tema.

Kate Winslet mostra o talento e a profundidade de sempre, injetando humanidade num personagem complexo. Mas não deixa de ser frustrante sua indicação por este filme, quando ela está muito melhor em Foi Apenas um Sonho. Aliás, não apenas ela. O filme de Sam Mendes é muito mais bem realizado do que O Leitor – mas, talvez por não abordar um tema como o Holocausto, foi esnobado pelo Oscar.

Alysson Oliveira


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança