Foi Apenas um Sonho

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Locais de filmagem


Sinopse

April e Frank formam um casal que poderia ter uma vida perfeita. Mas anos de insatisfações e frustrações acumuladas transformam o casamento em algo insuportável.


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Crítica Cineweb

29/01/2009

Uma das primeiras cenas de Foi Apenas um Sonho é uma montagem teatral amadora que tinha tudo para dar certo e acaba dando errado. Na platéia, as pessoas comentam o fiasco – em especial a performance da atriz April (Kate Winslet): ‘uma grande decepção’, reclama uma senhora. Não é por acaso que o filme, baseado num livro homônimo de Richard Yeats, começa assim: essa apresentação serve como uma metáfora e um anúncio do que está por vir.

Frank (Leonardo DiCaprio) e April têm menos de 30 anos, vivem nos subúrbios de Nova York, criando um casal de filhos adoráveis. Ele trabalha no departamento de vendas de uma empresa de máquinas, ela é dona-de-casa. Tudo estaria muito bem, não fosse o desânimo que toma conta dos dois, sentindo marasmo em suas vidas.

Na década de 1950, as pessoas não pareciam ter muitas opções – em especial as mulheres. April sofre, presa a essa falta de perspectivas, após abrir mão de uma possível carreira de atriz. Além disso, a maior parte do peso da harmonia do casal recai sobre ela. Não é à toa que April e Frank têm discutido tanto. Eles mal conhecem a si mesmos, que dirá um ao outro. Assim, todas as brigas acabam mal.

Foi Apenas um Sonho é um filme sobre um casal, sobre uma época, mas também sobre um sentimento existencial. Quase dez anos depois de Beleza Americana, Sam Mendes volta a examinar o mal-estar da classe média suburbana, agora a dos anos de 1950 – que não deixa de alguma forma também de ser atemporal. No entanto, desta vez, ele parece estar lidando com pessoas de verdade, e não estereótipos ambulantes como no seu filme de estréia.

Os melhores momentos de Foi Apenas um Sonho são aqueles em que Frank e April são obrigados a encarar um ao outro, seus medos e frustrações – especialmente depois da visita de um vizinho com problemas mentais, vivido por Michael Shannon (indicado ao Oscar de ator coadjuvante), que joga na cara do casal aquilo que eles chamam de ‘vazio sem esperança’.

Para fugir desse mal-estar que os consome, April planeja uma mudança para Paris, onde ela deverá trabalhar como secretária e sustentar Frank e as crianças, enquanto o marido decide o que realmente quer fazer da vida. Essa opção, aliás, é um escândalo para os vizinhos – entre eles, a corretora de imóveis interpretada por Kathy Bates. Porém, isso é apenas um plano. A realidade mais cedo ou mais tarde bate à porta, transformando o sonho americano em pesadelo.

O romance que deu origem ao filme, no original, Revolutionary Road - e que acaba de ser lançado no Brasil com o mesmo título do filme - é de 1961, ou seja, foi publicado poucos anos depois da época que retrata. Esse é o tipo de livro que Hollywood fica cheia de dedos para levar às telas, pois aqui não há catarse, não há redenção: é uma história que vai de mal a muito pior – é o retrato de uma geração. A adaptação assinada por Justin Haythe mantém, inclusive, alguns diálogos ipsis literis, mas raramente consegue entrar no centro da emoção dos personagens, como o livro faz tão bem.

Cabe a DiCaprio e Kate mostrar que Frank e April não são brinquedinhos de plástico, que servem a um propósito temático do filme. O casal – que se reúne mais de dez anos depois do sucesso de Titanic (97) – torna reais o sofrimento e a dor, que poderiam parecer exagerados fora do contexto.

DiCaprio está muito bem, mas a alma do filme é mesmo Kate. Numa cena, perto do final, quando se despede do marido que sai para o trabalho e força o sorriso para não entregar seus planos, é fácil entender porque essa é uma das atrizes cuja interpretação nunca decepciona – ao contrário da April na peça do começo do filme.

Alysson Oliveira


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