Surpresas do Amor

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Sinopse

Casal que costuma fugir dos parentes nos finais de ano é obrigado a sair desta rotina. Os dois vão ter de desdobrar-se para visitar cada um dos pais, que são divorciados. Além disso, vão descobrir segredos constrangedores um do outro.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

22/01/2009

Apesar do indiscutível talento cômico da dupla Reese Witherspoon (Legalmente Loira, Johnny e June) e Vince Vaughn (Penetras Bons de Bico), e de uma considerável turma de veteranos afiados – Robert Duvall, Sissy Spaceck, Jon Voight -, é incrível como não decola esta comédia.

Com tanta gente competente a bordo, o problema parece estar no roteiro de Matt Allen e Caleb Wilson, que aposta demais na violência física, e numa direção frouxa, do inexperiente Seth Gordon – mais conhecido por documentários como The King of Kong (07).

Muitas situações incluem socos e pontapés e que nem parecem pastelão. Daí, quem não for meio sádico, pode não achar muita graça. A pancadaria acontece, por exemplo, quando Brad (Vaughn) visita a casa do pai (Duvall) e é recebido com luta-livre por uma dupla de irmãos parrudos (Jon Favreau e Tim McGraw). Logo se vê porque Brad não gosta visitar a família.

Aliás, fazia muitos anos que Brad e sua mulher, Kate (Reese), não viam os respectivos pais, que são todos divorciados, nos finais de ano. Inventando a desculpa de que viajavam nessa época para ajudar causas humanitárias, o casal na verdade se divertia sozinho em altas aventuras em lugares exóticos do mundo.

Este ano, o destino era as Ilhas Fiji. Mas o mau tempo cancela os voos no dia do embarque e o casal é entrevistado bem na hora, no balcão do aeroporto de San Francisco, onde moram. Vistos em rede nacional por todos os parentes possíveis, a saída é partir para quatro paradas de Natal convencionais, o que há muito tempo eles evitavam.

Na verdade, nem Brad nem Kate conhecem as respectivas famílias. As visitas acabam revelando aos dois aspectos desconhecidos e constrangedores de sua vida passada. Brad, aliás, nem se chama Brad, e sim Orlando – referência à cidade em que nasceu, na Florida. Kate, por sua vez, na adolescência era gordíssima e não largava de outra menina, o que provocava muitos boatos.

Outra incoerência do filme é que, depois de apostar boa parte do tempo em fazer humor com tapas, pancadas, cafonice, crianças cruéis e alguma escatologia envolvendo vômito, o enredo recorre a um apelo de bom mocismo. Kate, que sempre prezou sua independência e nunca achou importante casar no papel nem ter filhos, de repente sente-se irresistivelmente tentada a ser mãe. O que provoca uma reação de Brad.

No fundo, é mais um ataque do invencível moralismo de Hollywood. Os rebeldes, que transgridem as sagradas regras da família, têm de ser emendados. Se o “arrependimento” for espontâneo, então, melhor ainda...

Pena, porque um elenco em que há cinco vencedores de Oscar (Reese, Voight, Duvall, Sissy e Mary Steenburgen) merecia uma comédia melhor. O público também.

Neusa Barbosa


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