A Troca

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Sinopse

Na Los Angeles dos anos 20, o filho pequeno de Christine é seqüestrado. Tempos depois, quando o garoto é encontrado, ela jura que este não é o seu filho.


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Crítica Cineweb

08/01/2009

No cenário do cinema norte-americano, Clint Eastwood sempre foi um diretor interessante. Desde sua estréia na década de 1970 com Perversa Paixão, ele construiu uma carreira sólida atrás e na frente das câmeras, sempre com estilo e sagacidade. Algo mudou nos últimos anos, quando seus trabalhos alçaram vôos mais ambiciosos, sempre com grandes resultados.

Se, para muitos, o ápice se deu com Sobre Meninos e Lobos (2003) e Menina de Ouro (2004), ele provou com seus trabalhos posteriores – o painel sobre a Segunda Guerra A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima (ambos de 2006) – que ainda tem muito a dizer.

Com A Troca ele pode não ter alcançado o mesmo nível que nesses outros trabalhos – mas um filme menor de Clint ainda é mais interessante do que a obra-prima de muitos outros.

Uma das maiores diferenças que se nota em A Troca em relação a outros filmes do diretor é que pela primeira vez a história é contada sob o ponto de vista de uma personagem feminina. Embora Menina de Ouro fosse protagonizado por uma mulher, ela era vista pela perspectiva de um personagem masculino narrando sua vida.

Aqui, o centro da trama é Christine Collins (Angelina Jolie, indicada a diversos prêmios, uma das favoritas no Globo de Ouro e Oscar), uma mãe-coragem cujo filho foi seqüestrado e que ousou levantar a voz contra o corrupto Departamento de Polícia de Los Angeles dos anos de 1920. A história é, aliás, baseada num caso real.

Christine é uma mãe solteira que trabalha na companhia telefônica local para criar seu filho Walter Collins (Gattlin Griffith), que acaba seqüestrado. Depois de um certo descaso da polícia, o menino é encontrado e entregue à mãe com toda pompa e circunstância, com direito a muitos flashs da imprensa e matérias enormes em jornais promovendo a competência da polícia local.

Porém, Christine alega que esse não é seu filho. Aponta diversas diferenças entre o menino e o verdadeiro Walter, como a diferença de altura. O capitão que resolveu o caso, J.J. Jones (Jeffrey Donovan), no entanto, insiste que Christine está errada. O novo Walter também garante ser ele mesmo o filho perdido.

Nesse momento, o roteiro assinado por J. Michael Straczynski abre o seu foco e mostra outro crime que chocou os EUA na época, e que, aos poucos, se mostra possivelmente relacionado com o caso de Christine.

Eastwood, que também assina a trilha sonora (indicada ao Globo de Ouro), mantém a sobriedade e a condução clássica da narrativa, marca registrada de seus filmes. Com isso, ele dá mais espaço para que seu elenco se destaque. Angelina Jolie, que há muito não agarrava um papel com tanta determinação, desenvolve sua personagem com nuances – indo da mãe desesperada até uma mulher que ousa lutar contra um sistema.

Nessa luta, aliás, foi fundamental a ajuda do reverendo Gustav Briegleb (John Malkovich) cuja missão acredita ser desmascarar as sujeiras que o departamento de polícia da cidade varre para debaixo do tapete. Ele é um dos poucos a acreditar em Christine e a apoiá-la na busca pelo verdadeiro Walter.

O que traz maior profundidade a “A Troca” é como Eastwood e Angelina compreendem a dinâmica emocional de Christine. A cena em que ela, mesmo desconfiada, posa para a foto ao lado do falso Walter poderia soar como forçada – mas o que se vê na tela é uma mulher confusa e desorientada, exatamente como a verdadeira Christine deve ter se sentido naquele momento.

Alysson Oliveira


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