O Dia Em Que A Terra Parou

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


País


Sinopse

A chegada de um alienígena, Klaatu, e um robô gigante e poderoso põe a Terra em estado de alerta. Uma cientista tenta convencê-lo de que o planeta merece uma segunda chance.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

08/01/2009

Reciclagem da ficção científica homônima de 1951, o filme de Scott Derrickson atualiza o velho tema da vinda de alienígenas para combater o nosso incurável militarismo. Não que eles sejam pacifistas. Os extraterrestres vêm armados das piores intenções – simplesmente, seu enviado, Klaatu (Keanu Reeves) chega para uma rápida missão “Arca de Noé”. Ou seja, colecionar o máximo de espécimes terráqueos em uma série de esferas espalhadas pelo mundo e encaminhar o extermínio da raça humana – que, para eles, já abusou do direito de estragar este planeta, um dos poucos com suporte para vida complexa. Então, salve-se o planeta, danem-se os humanos.

Moçada belicosa essa e com alto poder de destruição, bem maior do que o exibido pelos soldados e policiais norte-americanos que, como no filme de 1951, recebem a delegação alienígena já atirando. Desta vez, Klaatu e um poderoso robô gigante, capaz de paralisar qualquer arma à vista, pousaram em Nova York, em pleno Central Park. No filme original, a dupla desembarcava em Washington D.C.

Klaatu também é ferido nesta versão e vai parar num hospital onde se reuniram os maiores cientistas, guardado pelas tropas mais armadas. É lá que ele conhece as duas mulheres poderosas do filme, a cientista Helen Benson (Jennifer Connelly) e a secretária da Defesa norte-americana, Regina Jackson (Kathy Bates) – que críticos norte-americanos já descreveram como um cruzamento entre Hillary Clinton e Sarah Palin. A primeira quer ajudá-lo. A segunda, enquadrá-lo à força, alegando que, em todo contato entre civilizações de nível de desenvolvimento diferente, a mais fraca é escravizada. E os mais fracos desta vez somos nós todos da Terra.

Astrobióloga que estuda as possibilidades da vida em outros planetas, Helen torna-se a aliada natural do alienígena quando este, ainda desajeitado em seu corpo humano, vira cobaia de laboratório. Pinta um clima Guantánamo quando a secretária de Defesa decide que ele deve ser interrogado depois de ser injetado com uma droga desconhecida. Contando com nada desprezíveis poderes de controle sobre os equipamentos da Terra, Klaatu continuará, porém, seu plano original de extinção do planeta. Curiosamente, um ser tão poderoso ainda vai precisar novamente da humana Helen.

A cientista e seu enteado de 10 anos, Jacob (Jaden Smith), bem que impressionam um pouco Klaatu sobre sua péssima imagem da raça humana. Com uma expressão fixa quase o tempo todo, Keanu Reeves permanece aprisionado da frieza de seu personagem – um pouco além da conta. O roteiro de David Scarpa bem que poderia ter criado alguns momentos em que a cientista expusesse ao alienígena a viva contradição de salvar um planeta extinguindo sua espécie mais inteligente – o que comprova também a violência desses novos dominadores. Em que eles seriam eticamente melhores do que nós, então?

Absurdos e inconsistências, aliás, multiplicam-se em vários momentos, apesar da oportuna zombaria feita à incompetência furiosa dos armamentistas de todos os quadrantes. Mas esse toque subliminar de humor parece muito pouco num filme um tanto pesado, em que o diretor Derrickson, egresso do terror e do drama sobrenatural (Hellraiser 5 – Inferno, O Exorcismo de Emily Rose) não imprime um bom ritmo. Do jeito que é, está mais para um filme-catástrofe na linha Independence Day do que para uma ficção científica com um mínimo de esperteza. Além de abusar do merchandising mais do que uma novela brasileira em horário nobre.

Neusa Barbosa


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança