Um Homem Bom

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Sinopse

John Halder (Viggo Mortensen) é um humilde professor de literatura, casado, com dois filhos e mãe doente. Escreve um livro em que fala de eutanásia e é convidado a entrar no Partido Nazista.


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Crítica Cineweb

24/12/2008

Co-produção internacional entre Inglaterra e Alemanha, com orçamento de US$ 15 milhões , Um Homem Bom é o primeiro filme internacional do brasileiro Vicente Amorim (Caminho das Nuvens). Adapta peça teatral de Cecil Philip Taylor, mais conhecido simplesmente como C.P. Taylor (1929-1981), um dramaturgo escocês, judeu e marxista que se dedicou com particular afinco a retratar o homem comum em diversas situações.

Há um homem comum no centro desta história, que narra um lento e irreversível processo de cooptação.Um alemão como tantos outros no dramático ano de 1933, John Halder (Viggo Mortensen) é um professor de literatura de convicções liberais. Profissional sacrificado, de salário modesto, desdobra-se no cuidado dos dois filhos, suprindo, inclusive na cozinha, as falhas de sua mulher, Helen (Anastasia Hille), que procura firmar-se como pianista. Ele ainda tem que cuidar também de sua mãe (Gemma Jones), afetada por demência senil.

No meio desse caos doméstico, consegue escrever um romance, em que um personagem gravemente doente é submetido à eutanásia. O detalhe acaba como o anonimato de Halder, atraindo a atenção dos nazistas, já empenhados em encontrar justificativas intelectuais para o iniciante processo de extermínio em massa das vítimas preferenciais do regime – judeus, esquerdistas, homossexuais e opositores em geral.

Nada disso parece claro a Halder quando aceita um emprego e entra no partido nacional-socialista. Ele sofre um lento e irreversível processo de transformação, reforçado por seu divórcio e envolvimento com uma aluna, Anne (Jodie Whittaker) - que incentiva, aliás, sua ambição. Porque é só na ascensão social que se está pensando neste momento.

O único respiro neste verdadeiro sufocamento moral do protagonista é a amizade com o psiquiatra Maurice (Jason Isaacs). Sendo judeu, Maurice enxerga melhor que algo sinistro está emergindo juntamente com a estreiteza mental dos nazistas. É particularmente significativa uma conversa entre os dois em que o psiquiatra contesta o conceito patriótico dos partidários de Hitler, lembrando que judeus como ele, que inclusive lutou na I Guerra Mundial, são tão alemães quanto os demais.

Com seus pruridos amaciados pela confortável situação que possui – e de que nunca desfrutou antes -, Halder não se dispõe a enxergar o mal em toda a sua extensão, visível nos mínimos sinais da administração alemã daqueles dias. Em franco processo de negação, recusa-se a acreditar que deixou de ser um homem bom, a não ser quando é tarde demais para manter essa ilusão.

Do ângulo em que se coloca, a história enfoca não os grandes personagens e líderes mas sim as pessoas comuns e até dotadas de bons princípios e discernimento intelectual, como Halder e que, apesar de tudo, deixaram-se seduzir pelo nazismo. Implícito aqui é um chamado à responsabilidade coletiva da chamada maioria silenciosa, que serviu, de um modo ou de outro, para que o regime se instalasse e cometesse seus crimes numa proporção inimaginável. Que, infelizmente para a história da humanidade, não acabaram ali.

Apesar dos bons princípios, o filme soa uma nota abaixo do que se esperaria. A procura de sutileza – louvável – e distanciamento produziu um trabalho um tanto frio, em que o turbilhão moral do personagem demora um pouco demais para emergir. A boa idéia está ali mas sua realização fica um pouco abaixo do que pretendia atingir.

Neusa Barbosa


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