Coração de Tinta

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Sinopse

Mortimer é um "língua encantada", ou seja, quando lê em voz alta, traz à vida personagens dos livros lidos. Sua mulher desaparece numa leitura e ele procura um exemplar do livro para recuperá-la.


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Crítica Cineweb

24/12/2008

Pensado como uma grande aventura infanto-juvenil de férias com potencial para engajar também adultos em busca de diversão, Coração de Tinta, o filme baseado no livro homônimo de Cornelia Funke, desperdiça alguns de seus melhores trunfos fazendo dois esforços contraditórios – rechear a narrativa de eventos e personagens e explicar demais como funciona a fantasia inicial, ou seja, que algumas pessoas têm o dom de trazer para este mundo personagens dos livros apenas lendo suas histórias em voz alta.

Um desses “línguas encantadas” é o encadernador de livros raros Mortimer Folchart (Brendan Fraser), pai de Meggie (Eliza Hope Bennett). Desde o misterioso desaparecimento de sua mulher, Resa (Sienna Guillory), ele deixou de lado a leitura em voz alta e procura desesperadamente o livro em que ela entrou - Coração de Tinta.

Visitando o sebo de uma cidadezinha atrás do livro, Mortimer encontra Dedo Empoeirado (Paul Bettany) – um homem que tem poderes mágicos para controlar o fogo e que foi trazido a este mundo por conta de uma leitura doméstica de Mo. Dedo está desesperado para voltar para sua mulher, no reino do livro, mas Mo não quer saber de atendê-lo. Refugia-se na casa de sua excêntrica tia-avó, Elinor (Helen Mirren), dona de uma esplêndida biblioteca.

Mas Mo é localizado em seu esconderijo não só por Dedo Empoeirado como por outros seres malignos trazidos das páginas do livro. Liderados por Capricórnio (Andy Serkis, o Gollum de O Senhor dos Anéis), os vilões planejam trazer para a terra o mais poderoso ser do mal de sua história, o gigantesco Sombra.

As aventuras seguintes envolvem a captura e fuga de Mo, ajudado por Dedo Empoeirado e Farid (Rafi Gavron), um rapazinho de As Mil e Uma Noites. Complica um pouco a coisa a descoberta de que a menina Meggie tem o mesmo talento do pai e que a mãe dela está em algum lugar do castelo dos malvados – onde são prisioneiros os macacos voadores de O Mágico de Oz, o crocodilo de Peter Pan e o Minotauro. No seu devido tempo, também o autor do livro Coração de Tinta, Fenoglio (Jim Broadbent), será localizado para restaurar a ordem das coisas.

Este intenso tráfego entre o mundo da realidade e da imaginação requer, como se pode prever, um uso intensivo de efeitos especiais, que dão conta do recado. O que falta é um ritmo adequado para que se ganhe envolvimento com os personagens, que parecem estar o tempo todo apenas correndo uns dos outros. Funcionou melhor no cinema a adaptação de outra história envolvendo a viagem de pessoas ao mundo dos livros, A História sem Fim, de Michael Ende - pelo menos o primeiro filme baseado nele, de 1984, dirigido por Wolfgang Petersen.

O diretor inglês Iain Softley, que caminhou bem no drama de época Asas do Amor, baseado em livro de Henry James, aqui não repete a dose.

Neusa Barbosa


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