Sete Vidas

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Sinopse

Ben (Will Smith) é um fiscal de renda diferente. Acompanha casos de devedores mas tenta ajudá-los. É o caso de Emily (Rosario Dawson), moça que sofre do coração.


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Crítica Cineweb

24/12/2008

Em plena maturidade, entrando nos 40 anos, Will Smith está empenhado em consolidar sua inegável versatilidade como ator. Oscila entre projetos arriscados, em personagens com um lado antipático, em filmes como Hancock e Eu Sou a Lenda - mas, mesmo aí, sempre reservando um lado herói, voltado para o auto-sacrifício, que ele derrama em melodramas como o recente À Procura da Felicidade e este Sete Vidas. Ambos, aliás, dirigidos pelo italiano Gabriele Muccino.

Estreando no Natal, trata-se de um filme inegavelmente feito para arrancar lágrimas. Will interpreta o misterioso Ben Thomas, um fiscal do imposto de renda que apresenta um comportamento bizarro. Seleciona uma lista de pessoas em débito com o fisco e as segue, observando-as na vida pessoal e profissional. Mas acompanha também pessoas que têm outro perfil, como o deficiente visual Ezra Turner (Woody Harrelson) – cuja paciência, aliás, Ben testa num telefonema em que enche o outro de ofensas, sem receber o troco. Só mais tarde se vai entender a razão.

Ben não parece realmente focado no que, em princípio, é a sua missão – receber os pagamentos em atraso com o Leão. Demonstra bem maior interesse no quanto seus devedores são bons seres humanos e merecem apoio, como se fosse o próprio Deus em missão secreta. E é capaz de muita fúria quando descobre que um deles, diretor de uma clínica de idosos, anda maltratando uma de suas internas.

Vai ocupar toda a sua atenção a moça Emily Posa (Rosario Dawson). Criadora de cartões de casamento originais, feitos em máquinas antigas, ela luta contra uma deficiência cardíaca congênita, que a pôs na fila de um transplante de coração. Por essa dificuldade, acabou devendo mais de US$ 56.000,00 ao fisco. Observando-a no dia a dia, Ben lhe oferece um adiamento de seis meses. E não pára por aí, tornando-se um verdadeiro anjo da guarda em torno dela.

Poucos casais são mais carismáticos do que Will e Rosario, que carregam o fardo de um romance assombrado pela morte. E não só a dela. O fiscal guarda um grande segredo trágico no passado, que está por trás de um estranho pacto com o amigo Dan (Barry Pepper, de Três Enterros). E a água-viva que Ben põe no próprio quarto, num aquário, não é apenas parte da decoração, como se verá.

Sete Vidas tem grandes ambições. É feito sob medida para abalar corações, arrancar lágrimas e conquistar indicações ao Oscar. O italiano Muccino comprova sua total dedicação ao projeto de tornar-se o Frank Capra dos novos tempos, que exigem um toque mais sombrio, associado a um ator do carisma e talento de Will Smith (assim como Capra contou com James Stewart).

Smith é o tipo do ator que carrega qualquer filme, faz até os mais críticos engulirem alguma cota de clichês. E, no roteiro do estreante Grant Nieporte, há muitos - felizmente nenhum envolvendo religião.

Por conta desse inegável poder de sedução do ator, até eventuais absurdos ficam em segundo plano. Smith brilha de ponta a ponta nesta longa expiação de uma culpa irredimível. Está com a maior cara de Oscar, ainda mais num ano em que a nação americana parece finalmente disposta a discutir seu desastre no Iraque, sob o comando de seu primeiro presidente negro, Barack Obama.

Neusa Barbosa


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