A Fronteira da Alvorada

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Sinopse

François é um fotógrafo que se envolve com uma estrela de cinema negligenciada pelo marido. Com o tempo, a relação torna-se doentia, até acontecer uma tragédia.


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Crítica Cineweb

04/12/2008

Há um bom tempo, o cineasta francês Philippe Garrel (Os Amantes Constantes) interessa-se pelas relações de interdependência e até loucura que os apaixonados criam entre si. Em seus filmes – poucos lançados comercialmente no Brasil – o amor está muitas vezes de mãos dadas com a perda da sanidade de seus personagens. Por isso, não é de estranhar que em seu novo trabalho, A Fronteira da Alvorada, que causou controvérsia e foi vaiado quando exibido no Festival de Cannes 2008, as pessoas enlouqueçam por amor.

Louis Garrel, filho do diretor e protagonista de Os Amantes Constantes e Os Sonhadores, interpreta François, um jovem fotógrafo sem muita ambição na vida. Num trabalho, ele conhece a atriz Carole (Laura Smet, de A Dama de Honra). A química entre os dois é imediata. Mas, para usar uma teoria apresentada no filme, eles são como dois limpadores de pára-brisas, nunca se encontram. Ou seja, nunca querem a mesma coisa ao mesmo tempo.

Ela é casada e transforma o fotógrafo em seu amante oficial. O caso dura até o retorno do marido traído, que está em Hollywood. Quando este vai embora novamente, o romance entre os dois protagonistas parece ter esfriado. Carole passa o tempo escrevendo cartas de amor tentando reconquistar François, que agora resiste. Enquanto isso, a sanidade da moça se esvai aos poucos.

É curioso que isso não aconteça sem um aviso prévio. Antes no filme, ela perguntava ao amante: “Você me amaria se eu ficasse louca? E se eu fosse louca?”. Aparentemente, as duas frases são iguais – mas há uma sutil diferença. Carole é emocionalmente muito instável e isso contamina François.

Aqui, amar é perder a identidade, é se transformar num zumbi sem vontades próprias a não ser agradar ao objeto do desejo. Ao mesmo tempo, é se ver refletido no outro – não por acaso, um fantasma no filme aparece quando um dos personagens se olha no espelho.

As reviravoltas do filme de Garrel trabalham sempre no limite da sanidade dos personagens – questionando a realidade e o delírio. Éve (Clémentine Poidatz, de Maria Antonieta), uma nova namorada de François, também tem os seus problemas emocionais. E ele, como uma esponja, também os absorve.

Para o diretor Garrel, o amor, que poderia ser a redenção das pessoas, parece se tornar uma maldição, aquilo que consome cada um até esgotar sua energia vital. É uma opção um tanto radical – mas essa visão de mundo condiz com obras anteriores do cineasta.

Alysson Oliveira


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