Entre Lençóis

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País


Sinopse

Um rapaz e uma moça se conhecem num bar e passam a noite juntos num motel. Até o dia nascer, verdades e mentiras virão à tona, revelando que nem tudo é o que parece.


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Crítica Cineweb

04/12/2008

Um homem e uma mulher se encontram por acaso numa festa e vão passar a noite juntos num motel. Esse é o mote de Entre Lençóis, dirigido pelo colombiano Gustavo Nieto Roa e que traz nos papéis centrais Reynaldo Giannechini e Paola Oliveira.

O roteiro é assinado por Rene Belmonte (Show de Bola), baseado num filme homônimo do próprio Nieto Roa, lançado na Colômbia no primeiro semestre de 2008.

A estrutura de Entre Lençóis é simples, mas, por isso mesmo, depende de uma série de fatores para dar certo. São apenas dois personagens e um único cenário – um quarto de motel. Eles chegam com a adrenalina alta, e querem logo ir para cama. A primeira transa acontece e o que se segue é um jogo de mentiras e verdades, sedução e descaso entre os dois, alternando os papéis.

Os dois personagens começam mentindo, aqui, sobre seus estados civis, depois sobre o desejo de um pelo outro, e sobre outras coisas de suas vidas – só para mais tarde, despidos de todas as máscaras, se entregarem de vez. Ela está de casamento marcado; ele acaba de se separar.

Paola e Giannechini parecem estar atuando em filmes completamente diferentes. Enquanto ela lida com um registro mais naturalista, com ênfase no lado dramático, ele parece estar numa comédia, sempre sorrindo não importa a emoção que esteja sentindo. Nem mesmo as tão comentadas cenas de nudez dos dois conseguem levantar a voltagem do filme, pois tudo é tão asséptico, tão arrumadinho que nem parece que eles fizeram o sexo tórrido que os diálogos e a propaganda do filme sugerem. É como se o diretor jogasse todo o peso do filme na beleza dos atores.

Já o roteiro acaba meia hora depois do filme começar. Como Belmonte não tem muitas idéias para explorar, os diálogos começam a ser parafraseados e Entre Lençóis mergulha num déjà vu, repetindo temas e conversas, ao som de uma trilha sonora incessante. O filme, aliás, guarda uma grande semelhança com o chileno Na Cama, de 2005, mas lançado comercialmente no Brasil no ano passado. No saldo final, Entre Lençóis perde a chance de fazer um retrato mais visceral e interessante das relações humanas.

Como se trata de uma longa jornada noite adentro, seria preciso muito mais do que dois belos atores para manter o ritmo. São necessários três elementos para segurar um filme como esse: atores, diálogos e direção. Tudo isso precisa estar inteiramente interligado e harmonioso para não comprometer o resultado final. Não é algo fácil, e, por isso, não há muitos exemplos bem-sucedidos no cinema recente. Nos últimos tempos, apenas Richard Linklater com seu Antes do Pôr-do-Sol (2004) e Antes do Amanhecer (1995) conseguiu tal proeza.

Alysson Oliveira


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