Queime Depois de Ler

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Sinopse

Depois de ser dispensado, agente da CIA beberrão começa a escrever livro bombástico com suas memórias. Porém, o arquivo cai nas mãos de dois funcionários de uma academia, que querem dinheiro para devolver, o que resulta numa sucessão de erros e morte.


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Crítica Cineweb

27/11/2008

Os irmãos-cineastas Joel e Ethan Coen gostam de investigar o lado negro do ser humano – seja da alma, do coração ou mesmo da moral (ou ausência desta). Outra de suas preferências é subverter gêneros cinematográficos. Em Queime Depois de Ler, eles juntam tudo isso, numa comédia disfarçada como filme de espionagem.

Quando ganharam vários Oscars no começo de 2008 com Onde os Fracos Não Têm Vez, muita gente temeu pela integridade artística dos cineastas, que agora teriam sido descobertos pelo grande público a ponto de agradar à Academia, que sempre torceu o nariz para seus filmes. Queime Depois de Ler prova que o cinema deles está intacto. O filme lembra um pouco Fargo (1996), ao falar do que as pessoas são capazes de fazer para conseguir o que querem – especialmente dinheiro e sexo.

O ex-agente Osbourne Cox (John Malkovich) está louco para vingar-se da CIA escrevendo um livro de memórias bombástico. Sua mulher, Katie (Tilda Swinton, de “Conduta de Risco”) sonha livrar-se do marido para ficar com o amante, um investigador federal chamado Harry Pfarrer (George Clooney), que não quer muita coisa a não ser manter a sua esposa e algumas amantes. Já Linda Litzke (Frances McDormand) está atrás de uma boa quantidade de dinheiro para fazer diversas cirurgias plásticas, enquanto seu colega de trabalho, o personal trainer Chad (Brad Pitt), parece ser burro demais para pensar em desejar qualquer coisa.

É com esses retalhos que os irmãos Coen, que também assinam o roteiro, montam uma rede movida a sexo e ego, que une e separa os personagens. Embora o visual de Linda não a agrade, isso não a impede de encontrar pretendentes pouco empolgantes pela internet, enquanto trabalha numa academia. E, como o mundo parece ser pequeno demais, ela conhece Harry (Clooney).

O que leva a trama adiante é um certo disco de computador no qual está gravado o livro de memórias de Osbourne, que vai parar nas mãos de Linda e Chad – que, embora não saibam ao certo o que é aquilo, vêem no CD a chance de conseguir dinheiro rápido.

Como em Fargo, os crimes andam de mãos dadas com algum castigo – assim, cadáveres abundam ao longo de Queime Depois de Ler, das formas mais bizarras e inesperadas. Esta é, em sua essência, uma comédia de erros, seguindo o manual dos irmãos Coen, segundo o qual o humor emerge das situações mais absurdas – como Linda e Chad procurando a embaixada russa para tentar vender as informações confidenciais do disco de Osbourne.

No entanto, no caso de Queime Depois de Ler, a promessa é um pouco maior do que a recompensa. Os personagens acabam sendo um pouco caricatos, às vezes soando exagerados. Assim, o resultado é um filme com cenas divertidas – a melhor de todas envolve Brad Pitt ligando para John Malkovich no meio da noite para chantageá-lo – mas nada de muito memorável.

No seu saldo final, é uma comédia acima da média das produções norte-americanas, mas parece que falta alguma coisa para os irmãos Coen chegarem ao mesmo nível de outras produções deles, como Fargo e O Grande Lebowski (1998). Aqui, a dupla apenas diverte.

Alysson Oliveira


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