O Quarto do Filho

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Crtica Cineweb

13/02/2003

Com este drama que vem sendo coroado de sucesso de público em todo o mundo, o diretor italiano muda de estilo, alcançando a maioridade artística ao deixar para trás a torrente de reflexões autobiográficas que pontuavam seus trabalhos - o que ameaçava tornar-se uma camisa-de-força para sua criatividade, dada a insistência na repetição do repertório pessoal do cineasta, por mais interessante que fosse. O esforço de Moretti foi premiado de saída com a Palma de Ouro no Festival de Cannes/2001 - o mais importante festival de cinema do mundo -, uma conquista que serve como compensação à altura, aliás, para bastante inesperada não-indicação ao Oscar de filme estrangeiro em 2002.

O tema nada tem de original - a morte de um filho - mas recebe, na visão de Moretti, uma construção que valoriza muito a dimensão humana da história, da elaboração da perda à busca de sua superação sem esbarrar na menor pieguice. Moretti interpreta Giovanni Sermonti, um psicanalista que vê sua vida familiar ruir depois da morte acidental do filho, o jovem Andrea (Giuseppe Sanfelice). Desta vez, os costumeiros comentários irônicos do diretor ficam contidos na primeira metade do filme, quando ele traça o retrato do cotidiano desta família perfeitamente comum e feliz longe dos limites da idealização, completada pela mulher Paola (Laura Morante) e a outra filha, Irene (Jasmine Trinca).

Um recurso interessante é trazer para o centro da cena as histórias paralelas dos diversos pacientes do terapeuta, interpretados por atores do primeiro time do cinema italiano, caso de Silvio Orlando e Stefano Accorsi. Aparentemente desvinculados do tema central, os dilemas destas pessoas quebram a habitual claustrofobia de filmes que envolvem mortes familiares e adicionam elementos que contribuem criativamente para compor o retrato da vulnerabilidade do pai. Além disso, fornecem uma moldura social à história desta família, que não está isolada do mundo em sua dor, o que ajuda a colocar todos os personagens numa perspectiva mais realista.

Sem inovar revolucionariamente a linguagem do cinema, o drama de Moretti tem sua principal qualidade neste equilíbrio de elementos, conseguindo mostrar-se emocionado e sóbrio ao mesmo tempo em que injeta humor nas brechas cabíveis. Pode ser o início de uma nova fase na carreira de Moretti, um dos diretores italianos mais interessantes da nova geração com seus trabalhos Caro Diário (94) e Aprile (98). As polêmicas, como de hábito, acompanham o irrequieto e politizado cineasta nascido em 1953. Na Itália, o sucesso de público de O Quarto do Filho veio acompanhado da acusação de plágio por parte dos autores de um livro. A própria não-indicação ao Oscar ganhou inesperados aplausos, mesmo de colegas e compatriotas como Franco Zefirelli e Lina Wertmüller, embora eles fossem, é claro, franca minoria.

Neusa Barbosa


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