O Silêncio de Lorna

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Sinopse

Lorna é uma albanesa que se casou com um jovem belga para conseguir cidadania e se fixar no país. Porém, ela é pressionada para deixar o rapaz morrer de overdose, porque poderá se casar com um russo e ganhar uma comissão. Lorna tem outros planos em mente.


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Crítica Cineweb

06/11/2008

Ao longo dos últimos anos, os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne desenvolveram um cinema com características próprias. No plano temático, seus filmes abordam questões sociais por um viés humanista. Na forma, a câmera é solta, colada na nuca dos personagens, traduzindo uma urgência assustadora. O novo trabalho dos diretores, O Silêncio de Lorna, assinala algumas mudanças nessa trajetória.

Na verdade, os irmãos-cineastas parecem fazer alguns ajustes ao seu estilo, aperfeiçoando-o assim. Desta vez, a câmera é mais contemplativa – o que não quer dizer estática – e há até um pouco de trilha sonora. Já no campo temático, o longa é mais uma vez o reflexo do mal-estar da Europa contemporânea que parece silenciar diante de seus problemas sócio-econômicos.

Pela primeira vez, os cineastas situam a ação fora de sua cidade natal, Seraing, deslocando-a para um lugar mais cosmopolita com forte poder de atração sobre imigrantes estrangeiros, no caso, a cidade de Liège. No centro da ação está a jovem albanesa Lorna (Arta Dobroshi), uma imigrante casada com um belga, Claudy (Jérémie Renier, presença constante nos filmes dos diretores, como A Criança). O casamento foi arranjado, a troco de dinheiro para o marido e para que a moça conseguisse a cidadania belga. Acontece que o rapaz é viciado em drogas e está num estágio avançado de dependência, sempre correndo o risco de uma overdose.

A situação cria um impasse para Lorna. De um lado, ela tem seus próprios planos. Quer se casar com seu namorado albanês, Sokol (Alban Ukaj), e abrir um restaurante na Bélgica. Para completar o dinheiro necessário, antes disso, deve entrar em mais um casamento arranjado. Assim sendo, precisa se livrar de alguma forma do primeiro marido – o divórcio não é uma opção muito viável – e se casar por um tempo com um mafioso russo. Além disso, ela é pressionada por um sujeito que organiza os casamentos entre imigrantes e nativos, que não quer perder tempo, ganhando dinheiro em mais uma transação envolvendo Lorna, que já tem cidadania belga. Por outro lado, ela tem carinho por Claudy e não quer, com seu abandono, ser responsável por sua morte. O roteiro de “O Silêncio de Lorna”, que foi premiado em Cannes, entra no campo da culpa e expiação, como um reflexo de uma Europa silenciosa diante de questões sociais aflitivas neste início de século. Nas mãos dos Dardennes, o drama pessoal de um personagem é um reflexo e uma metáfora de algo maior.

A trajetória de Lorna é como a dos outros protagonistas dos filmes destes cineastas: uma personagem que passa por um calvário rumo a uma redenção. A atriz Arta Dobroshi, virtualmente presente em todas as cenas do filme, com sua expressão ao mesmo tempo melancólica e assustada, traduz todo o seu conflito interior.

Ganhadores de duas Palmas de Ouro (Rosetta, 1999, e A Criança, 2005), os irmãos Dardenne se consolidam a cada filme como alguns dos cineastas mais instigantes e importantes da atualidade. Seus filmes abordam questões relevantes, sem apontar dedos, nem levantar bandeiras, mas explicitando a sociedade em que vivemos e os muitos sintomas da insensatez da humanidade.

Alysson Oliveira


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