Leonera

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Sinopse

Julia foi presa, acusada de ter assassinado o amante. Grávida, tem o filho na prisão e cuida dele, vivendo a angústia de, um dia, ter de separar-se dele.


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Crítica Cineweb

06/11/2008

Quando alguém diz que este é um filme de prisão, o diretor Pablo Trapero retruca, invariavelmente – “Este é um filme sobre a maternidade”. Verdade que a história centra seu foco na maternidade em situação-limite, justamente numa cadeia, e daí extrai sua originalidade. É lá que vive a protagonista, Julia (Martina Gusman), jovem que se envolveu num assassinato passional, dentro de um triângulo amoroso em que a outra parte e também o outro acusado é Ramiro (Rodrigo Santoro, falando castelhano bastante bem).

Grávida do homem que supostamente matou, enquanto espera o julgamento, Julia é enviada à seção de prisioneiras que têm filhos – uma ala em que, ao contrário das outras, há brinquedos, cores e um pouco de suavidade. Não que Trapero embeleze o cenário. Tal como em seus filmes anteriores, Mundo Grua, Nascido e Criado (ainda inéditos no circuito comercial brasileiro) e Do Outro Lado da Lei, o diretor se alimenta de um naturalismo que flerta com o documentário – e seu filme foi em parte realmente filmado numa prisão – ao mesmo tempo que imprime uma energia humanista aos acontecimentos. Estes dois pilares sustentam a pulsação de seu estilo, já muito preciso apesar de o diretor só ter feito ainda cinco filmes.

O centro da história está na transformação de Julia. Depois de rejeitar a gravidez, ela se apaixona pelo filho a ponto de tornar-se uma mãe-leoa diante da iminência de separar-se dele – pela lei argentina, mães detidas só podem manter os filhos até os 4 anos na cadeia. A evolução de sua personagem para enfrentar as novas situações que se criam a partir de um relacionamento com uma colega de cela, Marta (Laura Garcia), e os conflitos com sua mãe refinada (Elli Medeiros) ganham consistência na pele da atriz, em seu primeiro papel como protagonista no cinema. Anteriormente, ela só havia tido experiência teatral.

Sem nunca julgar Julia, nem mesmo deixar clara sua efetiva responsabilidade na morte do amante, o cinema de Pablo Trapero acontece na carne e no sangue de seus personagens, por isso soa tão verdadeiro.

Além de Rodrigo Santoro, o filme tem dois outros marcos brasileiros – foi co-produzido pela empresa brasileira Videofilmes, dos irmãos Walter e João Moreira Salles, numa parceria que incluiu também a Coréia do Sul e a Argentina. Finalmente, a música infantil que toca logo nas primeiras cenas é Ora, Bolas, do músico brasileiro Paulo Tatit.

Neusa Barbosa


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