Lemon Tree

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Locais de filmagem


Sinopse

Viúva palestina sobrevive a duras penas de uma plantação de limões deixada por seu pai. Quando o primeiro-ministro de Israel passa a ser seu vizinho, sua segurança entende que a plantação oferece perigo. E a mulher corre o risco de perder tudo.


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Crítica Cineweb

07/08/2008

Em 2008, mesmo ano em que a escolha do júri celebrou a adrenalina viril do brasileiro Tropa de Elite, um filme israelense ganhou o troféu do público na seção Panorama do mesmo festival de Berlim. Delicado em sua forma, Lemon Tree, de Eran Riklis, aborda uma outra guerra, a divisão entre israelenses e palestinos, que parece tão infindável, mortífera e sem solução quanto os enfrentamentos do tráfico nos morros cariocas.

Não se dispara um único tiro em Lemon Tree. Mas a tensão é permanente na divisa entre o sítio da viúva Salma Zidane (Hiam Abbas) e a casa do novo primeiro-ministro israelense que acaba de se tornar seu vizinho, Israel Navon (Doron Tavory). Tudo porque a nervosa segurança do político considera que o limoal é um esconderijo em potencial para terroristas.

Num país quase diariamente abalado por notícias sobre atentados e homens-bomba, a suspeita levantada por seus guarda-costas leva o político a uma solução drástica: decretar o fim da plantação, que agora virou assunto de segurança nacional.

Oferece-se uma compensação financeira à viúva. Mas ela resiste à destruição de sua propriedade, que já está cercada de arame farpado por todos os lados. Para Salma, os limoeiros são parte de sua história, porque foram plantados por seu pai e mantidos por ela, dia após dia, com a ajuda de um único e fiel empregado. Eliminá-los lhe parece uma brutal arbitrariedade.

O conflito chega ao tribunal, sem que as partes tenham trocado nunca qualquer diálogo. A palavra, aliás, é uma das fronteiras conflituosas. Os dois lados sequer falam a mesma língua. Quando a viúva recebe a carta, em hebraico, informando-a sobre a destruição de sua plantação, ela nem mesmo entende o que está ocorrendo. Necessita de tradução.

A outra fronteira é a sexual. As mulheres estão em desvantagem aqui, sejam elas palestinas ou israelenses. Por isso é tão sintomático o longo olhar trocado entre Salma e a mulher do ministro, Mira (Rona Lipaz-Michael), numa determinada cena.

Viúva há muitos anos, Salma guarda na sala um retrato do marido que, com uma expressão feroz, parece observar suas visitas. A impressão de vigilância sobre a vida desta mulher torna-se mais concreta quando ela se envolve romanticamente com o advogado que defende sua causa, Ziad Daud (Ali Suliman, de Paradise Now). Não faltam homens da comunidade de Salma para, com o dedo em riste, reprovar-lhe a conduta e mesmo ameaçá-la. Pela reação resignada dela, isto parece natural ali. Ela não tem coragem de opor resistência.

Transformada em bibelô, depois em prisioneira de luxo em sua casa fortemente guardada, a mulher do primeiro-ministro, por sua vez, ressente-se das mentiras do marido – que flerta abertamente com suas assistentes e parece esperar da esposa não mais do que o conformismo. Moralismo e reacionarismo costumam andar juntos.

Há muitas e ricas leituras nesta história, que enlaça o tema político com a esfera íntima e desenvolve uma dramaturgia contemplando os dois aspectos sem nunca banalizar nenhum deles. Há um indivíduo contra o Estado e isto nunca é simples. A história realmente se baseia em fatos reais, dramatizados e ampliados pelo roteiro assinado pelo próprio diretor e a jornalista Smadar Yaaron. Exibido em Israel, o filme não teve boa repercussão, sendo visto por apenas 25.000 pessoas. Na França, em compensação, vendeu cerca de 300.000 ingressos.

Filho de um ex-consultor científico do consulado israelense no Rio de Janeiro, o diretor Eran Riklis, aliás, já viveu no Brasil, entre 1968 e 1971. Anteriormente, dirigiu A Noiva Síria (2004).

Neusa Barbosa


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