Encarnação do Demônio

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Sinopse

Depois de 40 anos preso, Zé do Caixão está de volta às ruas, em busca da mulher perfeita para gerar seu filho. No seu caminho, fica um rastro de sangue e sadismo. Dois policiais e um frade dominicano tentam detê-lo.


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Crítica Cineweb

05/08/2008

José Mojica Marins, e seu alter-ego, Zé do Caixão, estão de volta, e em grande estilo. Ou melhor, em grande orçamento, em Encarnação do Demônio. Nunca, em seu meio século de carreira, o diretor teve tanta verba para fazer um filme, com produção orçada em cerca de R$ 1,8 milhão.

Volta à cena o famoso personagem criado pelo diretor. Josefel Zanatas, nome verdadeiro do ex-agente funerário que se tornou popularmente conhecido como Zé do Caixão. Na história, ele passou 40 anos recluso entre um manicômio e a penitenciária depois de cometer diversos crimes em busca da mulher ideal para gerar o filho perfeito – tema de seus filmes anteriores, À Meia-Noite Levarei Tua Alma (1964) e Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967), ambos disponíveis em DVD.

De volta à ativa, Zé conta com a ajuda do corcunda Bruno (Rui Resende) para conseguir pessoas dispostas a ajudá-lo em sua incansável missão. Alguns jovens destemidos passam no teste e começam seu treinamento. E o coveiro se instala numa favela na periferia de São Paulo, onde é malvisto pelos moradores, que acreditam que ele traz má sorte.

O homem das unhas gigantes também terá de enfrentar dois policiais (Adriano Stuart e Jece Valadão, em seu último filme) que o juram de morte. Além de um monge fanático, interpretado por Milhem Cortaz, que pretende acabar com o coveiro por motivos bem pessoais.

Quem conhece os outros filmes de Mojica, poderá estranhar a qualidade da produção desta nova empreitada – assinada por Paulo Sacramento (que também é o seu montador) e os irmãos Caio e Fabiano Gullane. Desde a fotografia, de José Roberto Eliezer, até os poucos efeitos especiais (por opção do diretor) são bem-cuidados. O mesmo acontece com a trilha, de André Abujamra.

Esse apuro técnico não intimidou o criador do Zé do Caixão, que mantém sua marca registrada num filme cheio de sangue, torturas, mortes tenebrosas, mulheres nuas e bichos nojentos.

A grande questão é se Encarnação do Demônio vai encontrar um diálogo com o público 40 anos depois do lançamento do segundo filme da trilogia que só agora se conclui. É possível que sim, afinal, este longa não deixa nada a dever ao cinema de terror contemporâneo, calcado em sangue jorrando e sadismo, como a série Jogos Mortais, que caminha para o quinto episódio.

Quem assiste a um filme de Zé do Caixão sabe, ou deveria desconfiar, o que esperar. É quase um gênero à parte, que dialoga com os primórdios do horror, como os filmes de monstro protagonizados por Bela Lugosi e Boris Karloff e o expressionismo alemão, com seus jogos de sombras e personagens de personalidades deformadas.

Se o resultado vai agradar ou não ao público brasileiro, será descoberto nas próximas semanas. Mas a comissão de seleção do Festival de Veneza já achou atrativos em Encarnação do Demônio. Tanto que o longa foi programado para uma das sessões à meia-noite do festival, que começa no dia 27 de agosto. E Mojica já anunciou que estará lá com o figurino completo – inclusive suas famosas unhas.

Alysson Oliveira


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