Meu Irmão é Filho Único

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País


Sinopse

Itália, anos 60. No interior de uma família operária e comunista em Latina, periferia de Roma, cria-se uma divisão quando o irmão caçula, Accio, decide tornar-se neofascista.


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Crítica Cineweb

31/07/2008

Mais do que a comédia rasgada que sugere seu título, Meu Irmão é Filho Único decola do cenário habitual da família italiana – essa família louca e contraditória de todos nós - para traçar não só seu retrato, como também o perfil de um país radicalmente dividido por aquelas diferenças pessoais e ideológicas que a História recicla, mas não resolve.

Nada melhor do que dois irmãos para simbolizar a divisão que, especialmente no começo dos anos 60, polarizava as paixões na Itália. No clã proletário Benassi, morador de Latina – cidade-dormitório idealizada por ninguém menos que Benito Mussollini -, Manrico (Riccardo Scamarcio) é o filho mais velho. Bonito, carismático, operário e de esquerda, como o pai (Massimo Popolizio), é o próprio bem-amado. Dentro e fora da família, aliás.

A irmã do meio é Violetta (Alba Rohrwacher), que passa despercebida dentro do cenário evidentemente machista. O filho caçula, Accio (quando adulto, interpretado por Elio Germano), faz o papel de peste. É rebelde, boca-suja, envereda por muitos caminhos e fracassa em todos - não por incapacidade mas por sua maneira muito pessoal de ver as coisas.

Quando garoto, Accio pensava em tornar-se padre, mas acaba expulso do seminário porque não quer desistir da masturbação. Universidade e exército também não são para ele. Acaba seduzido pelo discurso falsamente grandioso das brigadas neofascistas de sua cidade, humilhada pela pobreza e a falta de horizontes.

Comunistas e sindicalistas, líderes de greves, o pai e o irmão naturalmente ficam furiosos com sua escolha. Não se pode dizer que a mãe (Angela Finocchiaro) ou a irmã tampouco o compreendam. Nisso Accio tem unanimidade: ninguém pode acompanhar sua trajetória tão pessoal, sua tentativa insana de conciliar o inconciliável.

A história se banalizaria se se reduzisse a uma mera polarização binária, em torno dos conceitos de feio/bonito, certo/errado, progressista/conservador. Nada mais longe das intenções deste filme, adaptado pelo veterano Daniele Luchetti do livro Il Fasciocomunista, de Antonio Pennacchi.

O roteiro, do próprio Luchetti em parceria com Sandro Petraglia e Stefano Rulli (dupla que assinou a minissérie A Melhor Juventude, de Marco Tullio Giordana) passa em revista algumas das décadas mais nevrálgicas da história recente da Itália. Examina com perícia e sensibilidade o desespero da classe operária, a radicalização da esquerda em direção ao terrorismo, sem deixar de assinalar os sentimentos complexos que mantêm sempre em contato os dois irmãos, por mais polarizados que estejam.

Desse olhar centrado na complexidade da condição humana, além dos maniqueísmos, é que o filme extrai sua força. E o que é melhor, pontuado por ironia e humor que atenuam, mas não facilitam, os assuntos densos que propõe.

Neusa Barbosa


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