O Verdadeiro Amor

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


País


Sinopse

Na Minnesota rural dos anos 20, desenvolve-se envolvente romance entre uma imigrante alemã e um norueguês, num tempo de intolerância nos EUA.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

01/08/2008

O coração profundo da América é examinado a partir de uma história de amor um tanto inusitada neste romance que marca a estréia cinematográfica de Ali Selim. Ele assina também o roteiro, adaptado de um conto de Will Weaver, elegendo uma irresistível heroína, Inge Ottenberg (Elizabeth Reaser). Quem tem idade para lembrar de Dominique Sanda, poderá notar a semelhança física desta atriz norte-americana com a veterana francesa que brilhou em filmes como O Jardim dos Finzi-Contini.

Início dos anos 20, logo depois da I Guerra Mundial. Inge é uma jovem alemã, que chega à rural Minnesota para um casamento arranjado, por carta, com outro imigrante, o jovem norueguês Olaf (Tim Guinee). Ela mal fala inglês. A única frase que conseguiu aprender inteira de seu manual é: “Eu poderia comer um boi”. Frase que vem a ser útil, porque a moça vive com fome. Na bagagem modesta, destaca-se o enorme gramofone, que parece de pouco uso num ambiente de agricultores.

O gramofone é o símbolo da diversidade de Inge. Basta olhar para esta moça de olhar direto, sorriso franco e maneiras desinibidas para saber que tem alguma educação formal e veio da cidade. Logo se saberá também pertencia ao Partido Socialista em sua terra. Más credenciais num momento em que, como outras vezes na história dos EUA, há uma caça às bruxas, desta vez dirigida contra os alemães, que são considerados potencialmente perigosos, suspeitos de espionagem ou prostituição.

A burocracia também impede o casamento de Inge com Olaf porque a moça não tem todos os papéis de imigrante que se requer. Porta-voz do moralismo local, que ele comanda, o reverendo Sorrensen (John Heard) determina que Inge se hospede na casa do melhor amigo de Olaf, Frandsen (Alan Cumming), casado com Brownie (Alex Kingston) e pai de uma penca de filhos.

Não demora muito e Inge se cansa da superlotação do quarto das crianças do casal e decide à sua maneira o impasse dos papéis que nunca chegam: vai alojar-se no andar de cima da casa do noivo, chegando intempestivamente de madrugada, sem aviso. Sua entrada triunfal prevê tomar posse da casa preparando-se um relaxante banho de banheira no meio da sala. O tímido Olaf toma um susto com esta mulher. Que não será o primeiro, nem o último, mas exercerá sobre ele uma lenta e insuperável atração.

Com um andamento desdobrado em três tempos, a história corre neste plano intimista do jovem casal, que desencadeia uma reação moralista da comunidade, e também num plano social – aqui, tendo como foco a virtual falência de vários agricultores, com propriedades penhoradas junto ao banqueiro Harmon (Ned Beatty).

Outro tempo passa-se em 1968, quando o neto de Inge e Olaf, Lars (Patrick Heusinger), recebe uma oferta milionária para vender a velha fazenda dos avós – e aí deve decidir se está ou não à venda toda esta história, de que fazem parte também suas próprias raízes.

Neusa Barbosa


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança