Era Uma Vez...

Ficha técnica


País


Sinopse

Dé mora na favela e trabalha num quiosque em Ipanema. Ele se apaixona por Nina, uma menina mimada de classe média. Para que o amor deles dê certo, precisarão enfrentar uma série de obstáculos – principalmente suas diferenças sociais.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

24/07/2008

Este deveria ter sido o primeiro filme de Breno Silveira – diretor do sucesso 2 Filhos de Francisco (2005) – mas os produtores para quem ele apresentava o projeto pareciam não acreditar muito na sua viabilidade. Uma bilheteria de 5,3 milhões de ingressos no seu filme de estréia abriu o sinal verde para que o diretor conseguisse emplacar o projeto.

Roteirizado por Silveira, Paulo Lins (Cidade de Deus) e Patrícia Andrade (2 Filhos...), tem como mote uma espécie Romeu e Julieta moderno num Rio de Janeiro muito dividido entre ricos e pobres. Dé (Thiago Martins, de Cidade de Deus) é morador da favela do Cantagalo e vendedor de cachorro-quente num quiosque na Vieira Souto, em Ipanema. De longe, todo o dia, observa Nina (a estreante Vitória Frate), menina de classe média alta, moradora do prédio em frente, por quem se apaixona platonicamente.

De certa forma, os dois personagens são metáforas de uma cidade sitiada entre dois pólos que, se buscasse a compreensão mútua, poderia viver bem melhor. Aos poucos, Dé conquista o amor de Nina e até o pai burguês decadente da moça (Paulo César Grande) aceita o romance.

Quando a situação fica mais complicada, com a fuga do irmão de Dé da cadeia, Carlão (Rocco Pitanga), e sua posterior tomada de poder no morro, o jovem casal é pressionado pelo pai da menina para terminar o romance. Mas eles acreditam que uma fuga é a melhor saída.

A relação sempre tensa entre morro e asfalto no Rio de Janeiro como combustível da ficção começa a dar sinais de cansaço, depois de tão explorada por cinema e televisão – mais notoriamente em Cidade de Deus e Tropa de Elite. Em Era uma vez..., Silveira busca um outro prisma para abordar a questão, mas não tem muito de novo a dizer. Ele transita entre clichês narrativos e visuais – como excesso de música e câmera lenta. Uns vinte minutos a menos não fariam falta ao filme. Apesar de tudo, o que emerge genuinamente é o talento de Thiago Martins, que consegue imprimir veracidade e emoção a um personagem que respira lugares comuns.

Talvez o fato de Era uma vez... ter sido planejado há tanto tempo pese negativamente no final. Nos últimos dez anos, as favelas cariocas mudaram, assim como a visão que a classe média e o cinema têm dessa questão. Fica clara a boa vontade do diretor ao tentar sensibilizar com uma história de amor, e não violência, mas entre prometer e cumprir fica um certo vazio.

Alysson Oliveira


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