Beleza Americana

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Crítica Cineweb

13/01/2003

Lidando com temas como a masturbação, a atração de adultos por garotinhas, o vício em drogas e a violência familiar, o filme não parecia caber no figurino quase sempre estreito da moral do Oscar. Mas, neste ano atípico, a Academia brindou este trabalho de estréia do diretor inglês Sam Mendes com cinco estatuetas, o recorde da temporada: melhor filme, diretor, ator (Kevin Spacey), roteiro original (Alan Ball) e fotografia (Conrad L. Hall, o mago por trás das esplêndidas cenas com as pétalas de rosa vermelhas).

Aos 34 anos, vindo do teatro inglês, o diretor estreante mostra uma notável segurança, compondo um filme que, apesar do conteúdo sério, sabe arrancar risadas com sua fina ironia em mais de um momento. Ajuda muito a sustentar este conjunto afinado a excelente escolha de elenco, em seus menores papéis. Kevin Spacey mais uma vez demonstra porque é um dos maiores intérpretes americanos, emprestando uma humanidade cínica e dolorosa a Lester, um desses personagens que não sairá tão cedo da memória do público.

Na meia-idade, casado com uma corretora de imóveis sempre à beira de um ataque de nervos, Carolyn (Annete Bening), Lester sente o mal-estar de alguém aprisionado numa gaiola dourada. Sua vida suburbana confortável, numa casa toda equipada, carro novo, emprego e salário garantidos esgotaram seu poder de atração. O grande momento de seu dia é de manhã cedo, quando ele se masturba no chuveiro. No limite, ele desafia a lógica classe-média que norteia os rumos da pátria e pede demissão do emprego de jornalista - não sem antes chantagear o chefete imediato com segredos escusos da firma, garantindo uma indenização extra e um ócio mais confortável.

Com os dias inteiros só para si, redescobre a paixão na figura de Angela (Mena Suvari), a loirinha burra e escultural, melhor amiga de sua filha adolescente, Jane (Thora Birch). Fascinada pela corte do homem maduro, a mocinha o provoca e ele tem seguidas fantasias com ela, sempre nua e coberta de milhões de pétalas de rosas vermelhas. Esta imagem básica, da rosa que se chama "beleza americana", é linda mas sem perfume, dá nome ao filme.

A trajetória de Lester nunca atingiria o auge sem esta mocinha, nem seus vizinhos, o rígido coronel Fitts (Chris Cooper) e seu filho, Ricky (o ótimo novato Wes Bentley). Se a vizinhança suburbana em que a história se desenrola é o padrão do sonho americano, há algo de muito podre neste reino. E só mesmo Lester é quem poderá, muito depois, rir cinicamente de tudo isto.

Neusa Barbosa


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