Agente 86

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Sinopse

Smart é o Agente 86, cuja primeira missão será enfrentar a organização KAOS, que tenta colocar em prática um novo plano para dominar o mundo. Para isso, ele fará parceria com a misteriosa agente 99.


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Crítica Cineweb

19/06/2008

Com a assinatura do diretor e humorista Mel Brooks (de Os Produtores), a série televisiva Agente 86 (1965 a 1970) foi a paródia máxima da espionagem em tempos de Guerra Fria. O programa combinava a preocupação com potências bélicas e redes de terrorismo global com um humor nonsense, no limite entre o sutil e o pastelão.

Protagonizada pelo espião Maxwell Smart (o hilariante ator Don Adams), a série mostrava os bastidores da agência C.O.N.T.R.O.L.E., organização secreta do governo norte-americano. O próprio personagem dizia que era secreta demais: “A CIA está nos jornais todos os dias e o FBI tem seu próprio programa de TV. Somos a única organização secreta de que ninguém ouviu falar”, garantia.

Com um herói tão peculiar, criou-se uma certa ansiedade entre os fãs da série quando foi anunciada a sua adaptação para o cinema. Afinal, quem interpretaria Max além de Adams (morto em 2005), que se dizia ser insubstituível ?

Não foi por acaso a escolha de Steve Carell para o papel. Considerado um dos melhores humoristas do cinema e da TV nos Estados Unidos, o ator é fã confesso da série e está na linha de frente do projeto como produtor executivo.

Com Carell no papel central, o filme não apenas agradou a quem gosta do programa de TV. Ele faz com que Agente 86 se comunique com públicos distintos, que conhecem o carisma do ator independentemente do papel, em filmes como Pequena Miss Sunshine, Virgem aos 40, A Volta do Todo-Poderoso e o seriado The Office.

Depois da escolha do protagonista, faltava apenas afinar o roteiro com os escritores originais da série, Mel Brooks e Buck Henry. Depois de alguns anos de negociação, finalmente, Agente 86, o filme, saía do papel.

Como no original, Maxwell é um espião um tanto inapto, que luta contra os perversos agentes da organização criminosa Kaos. Em um dos ataques à sede da C.O.N.T.R.O.L.E., os malfeitores roubam os arquivos com as identidades secretas dos espiões espalhados pelo mundo e colocam em marcha seu plano terrorista.

Sem outra opção, o Chefe (o excelente Alan Arkin) vê-se obrigado a enviar Maxwell para combater os criminosos. Para acompanhá-lo (ou salvá-lo), é enviada a agente 99 (Anne Hathaway, de O Diabo Veste Prada), para quem o herói tentará provar toda sua ousadia.

Com a missão de desmantelar a Kaos e suas atividades ilegais, como o tráfico de armas nucleares, a dupla viaja pelo mundo colecionando piadas e as mais inusitadas situações, como um vilão com problemas emocionais, para quem Maxwell serve como terapeuta em meio a uma perseguição.

Embora, às vezes, peque em alguns pontos, Agente 86 sai da mesmice das comédias para toda a família. Equilibra a surpresa e a sutileza, tão caros ao humor sofisticado, com uma torrente de piadas rasas, e consegue agradar a todos.

Outro ponto forte do filme é sua crítica à atual política bélica norte-americana (na série, também estendida à então União Soviética). Não deixa de ser evidente a vontade de Brooks em dizer que, tal como os agentes da Kaos e C.O.N.T.R.O.L.E., a política internacional está sob o jugo de ineptos e negligentes.

Na série, que sai em DVD juntamente com o filme, em determinado episódio há uma discussão entre os agentes 86 e 99. Ao eliminar um dos vilões, discutem se ele realmente merecia morrer. Quando Max diz a ela que sim, pois se tratava de um assassino, ela questiona se eles são “muito melhores”.

“O que você está dizendo, 99? Nós temos que atirar, matar e destruir porque representamos tudo o que é de mais são e bom no mundo”, responde o Agente 86. Nada mais atual.

Rodrigo Zavala


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