Cinturão Vermelho

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Sinopse

Mike Terry é dono de uma pequena academia de jiu-jitsu. Um incidente em sua escola muda drasticamente a sua vida, podendo forçá-lo a entrar no ringue para competir, pela primeira vez.


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Crítica Cineweb

19/06/2008

No mundo de David Mamet, as coisas nunca são que parecem. Daí, desista quem pensar que se trata de um filme sobre jiu-jitsu. Antes que alguém ache muito estranho, em se tratando de Mamet, saiba-se que ele praticou a luta cinco anos e com um treinador brasileiro, Renato Magno, do clã Gracie. Há muitas lutas na tela e o protagonista, Mike Terry (Chiwetel Ejiofor) é um professor dessa arte marcial. O tema real da história, no entanto, é lealdade, traição, controle, ética, esforço, superação.

Dentro dos chavões do sonho americano tradicional, Terry poderia ser considerado um perdedor. Apesar do inegável talento para a luta, recusa-se a subir num ringue para uma competição. No seu entender, paradoxalmente, a luta enfraquece o lutador. Tudo o que ele quer é ensinar seus alunos a defender-se, ter autocontrole e atingir o predomínio da inteligência sobre a força, mesmo que estejam usando os punhos.

Por essa recusa a treinar para o brilho diante dos refletores, sua academia, num bairro não identificado de Los Angeles, tem poucos alunos. Terry é, assim, uma espécie de samurai contente de não ter um senhor para servir. Mas há coisas que nem mesmo alguém tão centrado pode controlar – como quem entra por uma porta que está sempre aberta.

Encrenca é o que entra no dia em que uma advogada, Laura Black (Emily Mortimer), visivelmente descontrolada, chega dizendo que bateu sem querer no automóvel parado diante da escola, querendo pagar pelos danos. Na discussão que se segue, ela pega uma arma e dá um tiro que arrebenta a porta de vidro. Desse incidente mínimo, Mamet desenvolve um roteiro cheio de armadilhas para o herói impávido como Bruce Lee. Armadilhas que envolvem um astro de cinema (Tim Allen), sua mulher (Rebecca Pidgeon), um produtor (Joe Mantegna) e um promotor de lutas (Ricky Jay).

O Brasil entra no filme de várias maneiras. A principal, pela participação dos atores Alice Braga, que faz a mulher do protagonista, e Rodrigo Santoro, como seu cunhado – um personagem, aliás, bastante dúbio. Em algumas cenas, eles falam português, assim como outro personagem, John Machado, lutador que personifica valores opostos aos de Terry.

Cada um desses personagens funciona como carta dentro do baralho jogado no filme. É um jogo complexo, elegante, embora nem sempre satisfatório. Especialmente na porção final, parece faltar fôlego à engrenagem sempre tão segura montada por Mamet. A mágica da narrativa decola, mas voa baixo.

Mulher do diretor Mamet, a atriz Rebecca Pidgeon revela também seu lado cantora, que ela vem exercitando há cerca de três anos. Admiradora confessa da Bossa Nova, ela interpreta na trilha canções como “Behind the Velvet”, “Baby Please Come Home” (composta por ela mesma, em parceria com Mamet) e “When You’re Mine” – faixa que tem, aliás, participação de outra brasileira, a cantora paulistana Luciana Souza. Radicada há vários anos em Nova York, Luciana também aparece numa breve cena no clube, no começo do filme.

Neusa Barbosa


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