O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro

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País


Sinopse

O matador Antonio das Mortes vai até a pequena cidade de Jardim das Piranhas conhecer Coriana – que se diz reencarnação de Lampião. Chegando lá, suas convicções entram em crise.


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Crítica Cineweb

29/05/2008

Mais de três décadas depois da destruição dos negativos de “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” num incêndio num laboratório em Paris, o longa de Glauber Rocha foi restaurado, sob curadoria do brasileiro radicado na Inglaterra João Sócrates Oliveira – um dos maiores especialistas internacionais em restauração de filmes, que assinou a recuperação de obras como Cabíria (1914), de Giovanni Pastrone -, contando-se com a supervisão de fotografia de Affonso Beato, que também foi diretor de fotografia do filme.

O Dragão da Maldade... foi lançado originalmente em 1969. Naquele ano, ganhou o Prêmio de Direção do Festival de Cannes, além de estampar a primeira capa em cores da revista francesa Cahiers du Cinema, conquistando admiradores pelo mundo todo – como o cineasta norte-americano Martin Scorsese. O filme é uma espécie de seqüência de Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), trazendo novamente o personagem Antonio das Mortes (Maurício do Valle), um mercenário matador de cangaceiros.

Em O Dragão da Maldade... surge o cangaceiro Coriana (Lorival Pariz), que se diz ser a reencarnação de Lampião. Anos depois de ter matado Corisco, Antonio das Mortes fica intrigado com essa nova figura e vai até a pequena cidade de Jardim das Piranhas para encontrá-lo.

Se num primeiro momento, o Dragão da Maldade é o próprio Antonio das Mortes, mais tarde será um latifundiário quem assumirá essa posição. O próprio Glauber disse certa vez que “tais papéis sociais não são eternos e imóveis e que tais componentes de agrupamentos sociais solidamente conservadores, ou reacionários, ou cúmplices do poder, podem mudar e contribuir para mudar. Basta que entendam onde está o verdadeiro dragão.”

Por isso, de certa forma, O Dragão da Maldade...é um despertar da consciência de Antonio das Mortes, que começa a ver com outros olhos a estrutura sócio-econômica do Brasil, descobrindo quem é o verdadeiro inimigo do povo.

Essa jornada de Antonio das Mortes é povoada com personagens secundários, como um professor desiludido (Othon Bastos), um delegado ambicioso (Hugo Carvana), um padre em crise (Emmanoel Cavalcanti) e uma mulher solitária (Odete Lara).

A força de O Dragão da Maldade... está não apenas em suas alegorias sobre o Brasil – que, passados quase quarenta anos, ainda são bem pertinentes – mas também em suas imagens bonitas e poderosas. Por isso mesmo, o filme merece ser visto e revisto – até por aqueles que o conhecem – pois nunca esteve tão bem na tela.

Alysson Oliveira


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