Os Reis da Rua

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Sinopse

Tom Ludlow (Keanu Reeves) é um policial viúvo e solitário, que é acusado de executar um colega. A investigação revela um esquema de corrupção dentro da polícia.


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Crítica Cineweb

17/04/2008

Os Donos da Rua pode formar uma dupla com Tropa de Elite, ao menos por abordar o mesmo universo dos policiais que, investidos da máxima autoridade, tornam-se tão ou mais criminosos do que os bandidos. A diferença é que Tropa de Elite, mesmo parecendo fascista a alguns, não é, retratando com clareza o enlouquecimento de seu protagonista (Wagner Moura). Os Reis da Rua faz o elogio desse tipo de policiais, tornando-se nitidamente fascista.

Tom Ludlow (Keanu Reeves) é um detetive de Los Angeles. Mergulhado num inferno pessoal depois da morte da mulher, ele segue um ritual autodestrutivo cotidiano, bebendo ao volante e sentando a pua em todos os que passam em seu caminho.

Ludlow é do tipo que não costuma deixar sobreviventes de suas ações, como acontece no estouro do cativeiro de duas garotas seqüestradas, em que ele mata todos os presentes no local. Depois da execução, ele se dedica a mudar o cenário, plantando uma arma na mão de um deles e mudando a posição dos corpos, para encenar aquela batida alegação de “resistência”.

Aparentemente apenas introduzindo a história, esta cena está, na verdade, procurando predispor o espírito do espectador incauto a ficar do lado do policial matador. Afinal, todos vimos que aqueles mortos eram realmente culpados. Se, em nome da civilização e do respeito à lei, cabia mais a prisão de alguns deles do que sua execução sumária, é outra questão, que o filme nem de longe quer examinar. A lógica desta história, de autoria do famoso escritor James Ellroy (de L.A. Confidencial e Dália Negra), com a colaboração de Kurt Wimmer e Jamie Moss, é a do direito ao linchamento e à heroicização dos policiais brutamontes, ainda que corruptos.

Ludlow, o “herói” desta história, cabe neste figurino. Ainda que não seja corrupto, é ultraviolento. Enxerga-se como um justiceiro com direito a extravasar todas as suas neuroses contra os alvos que se apresentarem. Num determinado momento, o alvo é um antigo parceiro, Terrence Washington (Terry Crews). Terrence não aprova a transformação do ex-amigo em capanga a serviço das missões duvidosas de um capitão ávido por uma promoção a qualquer preço, Jack Wander (Forest Whitaker). E, supostamente, estaria delatando Ludlow a um corregedor da força policial, capitão James Biggs (Hugh Laurie, da série House).

Num dia em que, mais uma vez, vai tentar acertar com as próprias mãos as diferenças com o ex-parceiro Terrence, este é morto de maneira suspeita, dentro de uma lanchonete. Estando num lugar onde não deveria estar, Ludlow depende, mais uma vez, do acobertamento de seu fiel capitão contra seus excessos. Mas foi ele mesmo quem matou Terrence? Alguns, como Biggs, pensam que sim e ficam na sua cola.

A partir da morte do ex-amigo, Ludlow esboça alguns bons sentimentos. Novamente, quer esclarecer a coisa toda por seus próprios meios, grudando no detetive encarregado do caso, o novato Paul Diskant (Chris Evans). Freqüentando as periferias mais bravas de Los Angeles, nos círculos mais perigosos de gângsters e traficantes, os dois encaram a morte de frente. Ludlow, com um instinto suicida e que não suscita simpatias convencionais. Ele é, mais do que nunca, um vingador desajustado, chefiado por um capitão à altura. Neste papel, aliás, Forest Whitaker está mais do que nunca parecido com aquele que lhe deu o Oscar em 2007, em O Último Rei da Escócia. Parece um Idi Amin de figurino trocado, para encaixar-se na paisagem de Los Angeles.

Neusa Barbosa


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