Falsa Loura

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Silmara (Rosanne Mullholand) é uma operária bonita e séria, que sonha com seus ídolos da música, Bruno de André (Cauã Raymond) e Luís Ronaldo (Maurício Mattar). Ela descobre que as aparências enganam quando conhece os cantores pessoalmente.


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Crítica Cineweb

17/04/2008

As aparências enganam, diz a sabedoria popular. E o cineasta Carlos Reichenbach (Bens Confiscados, Dois Córregos) explora a fundo essa idéia em seu novo filme, Falsa Loura.

Silmara (Rosanne Mulholland, de A Concepção) é a loura tingida. Apesar de ser operária empenhada, sofre preconceito por parte das amigas. Isto acontece em parte porque é muito bonita – e algumas insinuam que ela é também garota de programa –, e também por parecer se colocar num patamar acima das outras por seu jeito rebelde.

Isso fica claro numa das primeiras cenas do filme, quando a colega de trabalho Briducha (Djin Sganzerla, prêmio de melhor atriz coadjuvante no Festival de Brasília do ano passado) quer ir com ela a um show sua banda preferida, Bruno e seus Andrés. Mas Silmara a rejeita, dizendo que a garota é feia demais para freqüentar o clube.

Essa primeira imagem de Silmara, esnobe e superior, é desmontada aos poucos. A moça trabalha para sustentar o pai, um ex-presidiário desempregado (João Bourbonnais), que já teve problemas com a justiça por ser incendiário. Além disso, ela tenta mediar as relações entre o pai e o irmão homossexual (Léo Áquila), que não se falam. E, finalmente, Silmara colabora para transformar Briducha numa garota mais elegante.

Mas o calvário da falsa loura está apenas começando. Como esse é um mundo de aparências enganadoras, o conto de fadas em que a vida de Silmara se transforma é apenas uma desculpa para Reichenbach explorar formas como realidade mais cedo ou mais tarde bate à porta.

Silmara vai ao show e acaba se envolvendo com seu ídolo, o cantor Bruno de André (Cauã Reymond, de Ódique?). O que para ela é um relacionamento sério, para ele é só mais uma aventura, com uma fã bonita e pobre – o que parece lhe dar direito de a usar e humilhar.

Mais tarde, ela se envolve com outro ídolo popular, o cantor romântico Luís Ronaldo (Maurício Mattar, mais conhecido por novelas como O Profeta). Parece literalmente outro conto de fadas. Reichenbach não mede esforços para tornar onírica a atmosfera onde se dá o breve romance entre os dois. Mais uma vez, nada é o que parece.

Nas mãos de outro cineasta, o calvário de Silmara poderia tornar-se um melodrama excessivo e pesado. No entanto, Reichenbach, que também assina o roteiro, conduz os altos e baixos da vida da personagem com habilidade e humor. Não há uma cena sem propósito no filme. Até momentos que parecem deslocados, mais tarde, fazem sentido, como durante o fim de semana com Luís Ronaldo, quando Falsa Loura parece caminha para outros rumos.

Rosanne Mulholland, por sua vez, mostra a que veio. Aqui, o talento esboçado em A Concepção prova ser mais do que verdadeiro. Ela interpreta Silmara com toda a dignidade e honestidade que a personagem merece. O diretor confessou, inclusive, que mudou o final do filme, pois não condizia com a interpretação que ela havia criado.

O que Falsa Loura lembra em seu final é que a aparência enganadora dos fatos não é necessariamente negativo – um saldo positivo pode surgir no final. Silmara cresce como ser humano e personagem, deixando transparecer o que há de bom por trás daquilo que parecia frio e egoísta. Depois das decepções, ela emerge como uma pessoa melhor. Enfim, Reichenbach despeja um mar de esperança em meio à descrença.

Alysson Oliveira


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