Rolling Stones - Shine a Light

Ficha técnica

  • Nome: Rolling Stones - Shine a Light
  • Nome Original: Rolling Stones - Shine a Light
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Inglaterra
  • Ano de produção: 2008
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 120 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Martin Scorsese
  • Elenco:

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Sinopse

Filmado em Nova York, o documentário segue um show especial dos Rolling Stones, mostrando também bastidores e trechos de entrevistas antigas da banda, que existe desde 1962.


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Crítica Cineweb

03/04/2008

O veterano cineasta Martin Scorsese e os Rolling Stones têm muito em comum – são sessentões, da mesma geração que nasceu no pós-guerra e tentou mudar o mundo pela política, pela arte ou pela chamada revolução sexual.

Como todos os animais muito experientes, todos eles, diretor e músicos, dominam seu metiê, trazem na pele as marcas de sua vivência e têm suas manhas. Juntos, eles fizeram este documentário cheio de energia, celebratório da espantosa longevidade da banda inglesa, mas nunca banal. Tudo é profissional nos mínimos detalhes em benefício da qualidade do filme, que fãs assistirão com prazer e detratores terão dificuldades para destruir.

Mick Jagger, Keith Richards e Charlie Watts tocam juntos desde 1962. O quarto integrante da formação atual, Ron Wood, entrou na banda em 1974. Uma convivência ininterrupta de décadas que os torna uma das bandas mais antigas do mundo, senão a mais antiga mesmo. No palco, todos esguios, com rugas que traem não só a idade como experiências em todas as direções, principalmente as ilegais e mal-comportadas, eles têm demonstrado nesse tempo todo um inesgotável apetite pelo palco e por turnês mundiais, que nunca pararam de fazer. Haverá quem diga que isto é mero amor ao dinheiro. Ao vê-los tocar, fica difícil acreditar que eles também não estejam se divertindo, e muito. Até porque já têm dinheiro de sobra para parar com isso.

Scorsese, um cineasta bem mais conhecido por seus filmes de ficção, como Os Infiltrados, que lhe deu, finalmente, um merecido Oscar de direção em 2006, não é um estranho no mundo da música pop. Ao longo da carreira, assinou alguns elogiados documentários musicais. O primeiro deles foi em 1978, O Último Concerto de Rock, que focalizava a última apresentação da The Band, que acompanhou Bob Dylan.

Exemplos mais recentes do gênero foram o episódio Feel Like Going Home, da série The Blues (2003), lançada em DVD no Brasil, e No Direction Home: Bob Dylan (2005).

Gravado no histórico Beacon Theatre, em Nova York, este novo filme segue um show de encomenda, que veio de ninguém menos do que o ex-presidente Bill Clinton, num evento para levantar fundos para uma ONG à qual ele é ligado.

Esta conotação política ganha um tempero especial neste momento em que a mulher de Clinton, a senadora Hillary Clinton, disputa acirradamente uma indicação à candidatura presidencial pelo Partido Democrata. Mas, na verdade, este contexto não está no filme. Pesa mais a atmosfera familiar caipira do clã Clinton, criando-se momentos especialmente hilariantes quando o ex-presidente insiste em apresentar um sobrinho de 12 anos aos roqueiros e, mais ainda, quando o atraso de sua sogra provoca a demora do início do show.

Quando finalmente chega dona Dorothy, mãe de Hillary, ela é recebida com ironia simpática, embora veladamente ácida, por Jagger: “Que bom que você chegou, Dorothy”. Finalmente, o show pode começar para o teatro lotado há muito tempo.

Esse momento “família caipira” torna-se mais irônico ainda quando se pensa no teor das canções que daqui a pouco os Stones começam a interpretar e que falam de sexo, drogas e outros assuntos que devem arrepiar os cabelos não só da simpática mãe de Hillary, mas também de boa parte da platéia predominantemente branca, bem-nutrida e bem-nascida que pagou caro para estar ali. Contradição que faz parte do show. Ou será que muitos vieram ali apenas para fotografar os roqueiros e outras celebridades presentes em seus celulares ?

Independente das intenções, todo mundo, vai observar a inegável e incontestada liderança de Mick Jagger na execução de algumas das músicas mais conhecidas do repertório da banda – caso de “Jumping Jack Flash”, “Brown Sugar”, “Start me Up” e “Shine a Light”, que empresta o nome ao filme. Jagger domina a cena, dançando, mexendo com a platéia e sua visivelmente, especialmente por conta do número astronômico de lâmpadas ao seu redor. Um detalhe que mereceu preocupação de Scorsese no começo do filme: “Não podemos queimar Mick Jagger!”. Por conta disso, o roqueiro vai trocar diversas vezes de figurino. Mas ninguém espere um flagrante de sua nudez nos bastidores. Afinal, os roqueiros são produtores executivos do filme.

O guitarrista Keith Richards também exercita o seu pouco ouvido lado de cantor em duas canções, “You Got the Silver” e “Connection”. Fora isso, os Stones dividem o palco com artistas como a cantora latina Christina Aguilera (superando incrivelmente a sua persona neste momento), o jovem roqueiro Jack White e o bluesman Buddy Guy. Com este último, Jagger cria um momento mágico quando canta com ele “Champagne and Reefer”.

Para quem assiste o filme no cinema, a sensação é de estar dentro do palco praticamente durante as duas horas de duração do filme. O tamanho relativamente pequeno deste teatro permitiu condições especiais para a filmagem, como a colocação de dezesseis câmeras em todos os cantos do local – nas entradas para o palco, no meio do público e num mezanino superior. Vários diretores de fotografia renomados conduziram estas câmeras, como foi o caso de Albert Maysles, diretor de outro famoso documentário sobre os Stones, Gimme Shelter (1970). Outros integrantes desse dream team da fotografia foram Stuart Dryburg, Robert Elswit, Ellen Kuras e Emmanuel Lubezki.

Entre as músicas, intercalam-se trechos da preparação dos Stones para sua turnê “A Bigger Band” (que passou pelo Brasil em 2006) e de algumas de suas entrevistas antigas. Numa conversa em 1972, Dick Cavett pergunta a Jagger se esperava estar ainda tocando aos 60 anos e ele responde: “Sim, facilmente”. Um comentário mais do que profético.

Compreensivelmente, não há grandes revelações. A esta altura, que segredos podem esconder os ágeis e midiáticos dinossauros do rock? Entre no clima, bata o pé e aproveite enquanto eles estão por aí.

Neusa Barbosa


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