Assassinato em Gosford Park

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 2 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

13/01/2003

O engajado diretor inglês Ken Loach ganhou um aliado de fina estirpe. O americano Robert Altman coloca em cena a velha, nunca boa nem superada luta de classes entre o andar de cima e o andar de baixo numa elegante casa de campo inglesa em novembro de 1932 - data estrategicamente colocada entre as duas guerras mundiais. Mais uma deliciosa e viperina sátira social recheada de personagens e nuances que demonstram a ótima forma do veterano rebelde, que completou 77 anos em fevereiro de 2002.

É o primeiro filme inglês de Altman, há muito um cínico estranho no ninho do cinema americano, que não dá a menor bola para o pouco caso com que Hollywood o trata. Assim, suas sete indicações ao Oscar tiveram, sim, um sabor de vingança. De quebra, no próprio filme, Altman - que é autor da idéia original do roteiro - não se cansa de fustigar o triunfalismo egocêntrico da América, através da figura de um produtor yankee (Bob Balaban) que tenciona filmar uma nova aventura do detetive Charlie Chan em Londres.

Em se tratando de um legítimo produto da linha Altman, é claro que sobram ironias para todos os lados. Os britânicos com certeza não serão poupados por seu apego ao formalismo e a convenções que resistem ao tempo mas não à lógica. Muito convenientemente, o centro da ação é a abertura da temporada de caça, motivo para a reunião de uma extensa fauna humana na bela propriedade de William McCordle (Michael Gambon). Se alguém duvida da colocação claramente política desta história, basta apenas atentar que se deixa escancaradamente claro que a origem da riqueza de sir McCordle é espúria. Ou seja, provém do lucro de fábricas altamente exploradoras, onde o patrão, ademais, é predador das jovens operárias. Um detalhe que, por certo, tem a ver com sua morte violenta, ocorrida numa das longas e caras noitadas que entretêm a classe ociosa, enquanto os serviçais se movimentam freneticamente em prol de seu conforto nos bastidores. Muito embora, é bom que se diga, nenhum dos empregados tenha currículo para requisitar a canonização.

A narrativa divide-se com equilíbrio entre o antes e o depois do crime, dando tempo para delinear saborosamente este rico painel de personagens, defendidos por uma imensa maioria de atores britânicos do primeiro time - caso de Maggie Smith, Helen Mirren (ambas indicadas ao Oscar), mas também Derek Jacobi, Emily Watson, Kristin Scott Thomas, Alan Bates, Eileen Atkins e Jeremy Northam (que inclusive demonstra incríveis dotes como cantor em cena). Marca registrada do diretor, as interpretações seguem o padrão de uma orquestra que nunca desafina.

Cineweb-8/3/2002

Neusa Barbosa


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança