Chega de Saudade

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Sinopse

Num antigo clube, numa única noite, pessoas de todas as idades, da madura Elza (Betty Faria) à jovem Bel (Maria Flor), procuram um par para dançar e um novo amor.


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Crítica Cineweb

20/03/2008

Raríssimas vezes se vê tamanha e tão sincera exibição das rugas e marcas de expressão de atores maduros, revertendo o padrão onipresente da mídia, sempre obcecada pelas peles lisas e corpos perfeitos dos top models. A câmera do filme (mais um belo trabalho de fotografia do mestre Walter Carvalho) procura, ao contrário, a verdade das pessoas comuns, para quem o tempo passa sem apelação e quase sempre sem a possibilidade do recurso às plásticas.

Como nos painéis múltiplos de Robert Altman, Laís Bodanzky monta o espaço vital em um clube noturno de danças de salão, em que se movem freneticamente o velho casal cheio de mágoas, mas também de ternura (Tônia Carrero e Leonardo Villar); a jovem (Maria Flor) que se entusiasma com a lábia do malandro de salão (Stepan Nercessian), para desespero tanto do namorado ciumento dela (Paulo Vilhena) quanto da mulher com quem ele tem um caso (Cássia Kiss); a madura sensual que ama um homem casado (Conceição Senna), a solitária aflita para quem tudo dá errado naquela noite (Betty Faria); o garçom que tudo vê e acode (Marcos Cesana), como um anjo da guarda sempre em missão.

Não é pouco o que Chega de Saudade faz, ao dar rosto a essas pessoas miúdas e socialmente invisíveis, desafiando a norma não escrita de que aos mais velhos, em geral, se delegue a solidão como forma de vida, como se não tivessem mais sonhos e sentimentos. O filme é uma explícita defesa da liberdade dessas pessoas, de todas as pessoas, aliás, que se recusam a ficar em casa esperando a morte chegar assistindo ao Fantástico.

Premiada em Brasília com o troféu de melhor direção, além do de melhor filme no júri popular e melhor roteiro (Luiz Bolognesi), Laís Bodanzky evolui com segurança a partir da promissora estréia que entregou em Bicho de Sete Cabeças (2001) – grande vencedor em Brasília também, naquela altura com sete prêmios. Laís Sabe o que quer, conduz na mesma batida um elenco ao mesmo tempo grande e de experiências diversificadas e sabe valer-se delas para o conjunto final. Bela maturidade para a diretora.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 28/02/2015 - 09h15 - Por BESSAMOR Nostalgia, saudades, musicas inesqueciveis, interpretações corretas e sem malabarismos, fazem deste filme, recordações da terceira idade, com suas ansiedades, desejos e recalques. Muito bem feito, bem agradáve.
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