2 Dias em Paris

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País


Sinopse

Marion (Julie Delpy) e Jack (Adam Goldberg) estão juntos há dois anos e o relacionamento esfriou. As férias na Europa seriam uma última tentativa para salvar o casamento.


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Crítica Cineweb

13/03/2008

A francesa Julie Delpy é uma moça muito prendada. Atua desde os 9 anos de idade, escreve roteiros (foi indicada ao Oscar por Antes do Pôr-do-Sol, co-escrito com Richard Linklater e Ethan Hawke), produz, dirige, compõe e também faz montagem. Esse excesso de prendas poderia transformar seu 2 Dias em Paris num grande exercício de ego – afinal, ela faz tudo isso no filme – mas, não. Essa comédia romântica passa longe disso, e ainda encontra tempo para se inspirar em Woody Allen.

A premissa do filme faz lembrar Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-Sol, ambos protagonizados por Julie e Hawke, sob a direção de Linklater. Um casal passa dois dias em Paris – cidade natal da moça –, onde tentam salvar a relação de dois anos, que anda meio turbulenta. Mas os diálogos e as situações de 2 Dias em Paris estão bem mais próximos do universo de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa.

Julie é Marion, fotógrafa francesa radicada em Nova York, onde mora com o namorado Jack (Adam Goldberg, de Zodíaco). Eles finalizam uma viagem a Veneza com dois dias na cidade dela antes de voltarem para casa. Ficam hospedados no apartamento de um cômodo que ela mantém no prédio onde moram os pais dela (interpretados pelos verdadeiros pais de Julie, Marie Pillet e Albert Delpy). Problemas não param de surgir. O namorado mal fala francês, e os pais, inglês. Não bastassem as barreiras lingüísticas, as culturais são ainda maiores.

Todo mundo está cansado de saber das diferenças culturais entre americanos e franceses. Na cartilha dos clichês, os primeiros são mais folgados, enquanto os outros, mais despojados – em especial quando se trata de sexo. Julie não nega essas idéias – até porque devem ser bem próximas da realidade mesmo – mas sabe usá-las a seu favor para construir personagens reais, que podem interessar ao público.

Jack é o típico paranóico e hipocondríaco. Obcecado com um possível ataque terrorista, teme andar de metrô e sempre fica desconfortável quando Marion conversa com antigos amigos em francês. Para ele, todos os homens que ela conheceu são ex-namorados e possíveis amantes.

Marion, por sua vez, é cheia de atitude – principalmente quando se trata de política – e não se intimida diante de um taxista grosseiro e racista. Também não hesita em espancar um ex-namorado que a trocou na Tailândia – não porque foi trocada, mas porque ele ficou com uma menina de 12 anos.

Esses são Jack e Marion. E se 2 Dias em Paris começa com o olhar dela para ele, ao longo do filme o foco muda. Passamos a ver a moça pelos olhos de seu namorado. Aos poucos, a relação entra em xeque-mate. Porque estão juntos, mesmo ? E existe um momento em que a separação se torna a única coisa a fazer: é quando o relacionamento traz mais problemas do que alegrias.

2 Dias em Paris é também um filme sobre choque cultural. Julie tem dupla cidadania – francesa e norte-americana – e o longa pode ser o seu questionamento de identidade, o que faz cada um ser o que é em cada um dos países. O resultado é que não existe uma resposta, mas questionamentos, e isso é mais interessante do que conclusões definitivas.

Alysson Oliveira


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