Terra em Transe

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Locais de filmagem


Sinopse

Em seu terceiro longa-metragem, Glauber retrata uma república fictícia - Eldorado. Narrado por Paulo, poeta e jornalista de esquerda, conta a história da ascensão e queda de um governador populista e corrupto, Vieira. Considerado subversivo, foi proibido pelo governo militar. Mas também desagradou à esquerda, que o acusava de se exceder nas alegorias e no barroquismo. Fotografia de Luiz Carlos Barreto.


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Crítica Cineweb

20/05/2005

Quase 40 anos depois da sua estréia – e mais de 20 depois da perda dos negativos em um incêndio num laboratório na França –, Terra em Transe (1967), do cineasta baiano Glauber Rocha (1938-1981), é lançado em cópia restaurada

Ganhador do prêmio da Crítica Internacional no Festival de Cannes em 1967, Terra em Transe é uma obra seminal do cinema dos anos 60, que acabou influenciando não apenas outros cineastas, mas também o movimento dos estudantes franceses. Segundo uma tese desenvolvida na Sorbonne, o filme brasileiro – ao lado de Antes da Revolução (1964), de Bernardo Bertolucci, e A Chinesa (1967), de Jean-Luc Godard – é uma das obras que mais motivaram os protestos de maio de 68.

No entanto, isso não significa dizer que o longa seja datado. Muito pelo contrário, este é um filme que ganha força e vigor com o passar dos anos – tanto em termos de conteúdo, como de forma. Muitos dos planos e artifícios usados pelo cineasta são considerados de vanguarda até quando usados no cinema contemporâneo.

A história foi considerada subversiva demais pelo governo militar quando o filme estreou. Também não é para menos. Em plena época das ditaduras na América do Sul, Glauber (também autor do roteiro) mostra Eldorado, um pequeno país, onde há uma grande disputa de poder.

Esse embate é visto pela ótica de Paulo Martins (Jardel Filho), um poeta de esquerda, romântico e ligado ao povo. De um lado está D. Porfírio Diaz (Paulo Autran), um tradicionalista místico; de outro D. Felipe Vieira (José Lewgoy), um líder populista.

Como definiu o diretor no lançamento do filme, Terra em Transe é “um espetáculo sobre política, um espetáculo sobre problemas morais da política, um espetáculo sobre a consciência da política e um espetáculo sobre movimentos políticos”.

Terra em Transe é o primeiro dos quatro longas de Glauber a ser restaurado com o patrocínio da Petrobras. Os próximos filmes a ser relançados em cópias novas são Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969), Barravento (1962) e Idade da Terra (1980).

O longa é o primeiro filme a ser restaurando inteiramente pelo processo digital na América Latina. O trabalho foi feito a partir de uma cópia preservada em Berlim e contou com a supervisão geral de Eduardo Escorel (montador original do filme) e a supervisão de fotografia de Lauro Escorel (fotógrafo de still do filme).

Além de chegar aos cinemas, Terra em Transe será lançado em DVD ainda neste ano, trazendo um disco extra com o documentário Depois do Transe, dirigido pela filha de Glauber, Paloma Rocha, e Joel Pizzini.

Esse documentário conta com depoimentos do próprio cineasta, colhidos em 1973 e até hoje inéditos. Além disso, os extras do DVD prometem trazer um making of, contexto histórico da época e a trajetória do filme.

Alysson Oliveira


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