Eu Sou A Lenda

Ficha técnica


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País


Sinopse

Nova York, 2012. A cidade está deserta, com ruas virando matagais e zumbis canibais atacando toda noite. O único habitante que não virou zumbi é um médico (Will Smith), que pesquisa a cura do terrível vírus que pode ter acabado com a humanidade.


Extras

- Conto de Aviso: A Ciência de Eu Sou a Lenda

- Entrevistas com Elenco

- Criando Eu Sou a Lenda

- Efeitos Visuais

- Treinamento Físico de Will Smith

- Final alternativo


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

17/01/2008

Nesta ficção futurista, Will Smith, 40 anos em setembro, assume mais uma vez o papel de herói. A grande vantagem de ter num papel assim um ator como Smith, que transita com facilidade de registros cômicos a dramáticos, de Homens de Preto a À Procura da Felicidade (2006), é que este herói terá nuances diferentes daqueles musculosos e superpoderosos que habitam outros filmes de ação. Porque, acima de tudo, Smith encarna aqui um herói trágico.

O ano é 2012. Nova York tornou-se uma cidade deserta, onde as suas largas avenidas transformaram-se em matagais, seus imensos edifícios, em estruturas abandonadas. Nas ruas atulhadas de detritos, um único carro, um possante Shelby Mustang GT-500, passa a toda velocidade. Dentro dele, Robert Neville (Smith), e sua cadela, a pastora alemã Sam.

Médico virologista, Neville é o único habitante humano sadio de Manhattan. Todos os demais ou morreram ou foram transformados em pavorosos zumbis canibais, que saem à noite à caça de carne. Apesar de não serem exatamente vampiros, eles também têm pouca resistência à luz. Neville, portanto, só circula durante o dia, à procura de algum outro ser humano que possa ter sobrado da maciça contaminação que varreu o país, quem sabe o mundo. O culpado: um vírus que surgiu de um tratamento pioneiro que, anos atrás, erradicou o câncer, mas gerou este terrível efeito colateral.

Quando a tarde cai, Neville e Sam recolhem-se à sua casa na Washington Square, fechando portas e janelas previamente fortalecidas com barras metálicas. Tudo para resistir aos ataques das hordas canibais.

No subsolo, o virologista realiza experiências com animais – e, quando consegue, com algum zumbi -, procurando chegar a uma vacina, a uma fórmula que reverta os efeitos da epidemia.

Fora os sucessivos fracassos com seus experimentos científicos, a solidão está enlouquecendo Neville, que perdeu a mulher e a filha em circunstâncias que o filme revela aos poucos. Em flashbacks, traça-se o histórico do surgimento da doença, a quarentena da cidade e o mergulho no caos.

Sob a direção de Francis Lawrence (Constantine), cria-se um clima de suspense, em torno da idéia de que Neville pode, realmente, ser o último homem da face da Terra, e com alguns encontros desagradáveis que ele têm com os mortais zumbis – a cuja contaminação, é bom lembrar, ele é misteriosamente o único imune, ainda que eles o mordam.

Numa noite em que ele, numa atitude suicida, expôs-se a um ataque massivo dos zumbis, é salvo por uma misteriosa mulher, Anna (a atriz brasileira Alice Braga, de Cidade de Deus). Ela veio de Maryland, trazendo um menino (Charlie Tahan), depois de ter sintonizado o sinal de rádio deixando por Neville numa ponte. Ela teve notícias de que há outros sobreviventes em Vermont, mas agora o médico está cético demais para acreditar. Enquanto isso, a vacina aplicada numa zumbi começa a fazer efeito. Ela está, aos poucos, recuperando o aspecto humano normal.

Embora a história não seja, em sua origem, mais do que boa e velha ficção científica (inspira-se no livro homônimo de 1954 de Richard Matheson, que teve duas anteriores versões cinematográficas, em 1964 e 1971), impossível não contextualizar na atualidade a própria visão do herói do filme. Pode-se ler aqui tanto uma defesa quanto uma crítica desse individualismo que é tão moderno, depois da propalada queda das utopias – que, no caso de Neville, nem foi uma opção, e sim a decorrência de uma tragédia. Quando a mulher chega, ele está emocionalmente ferido demais para conviver. Só está habilitado para o sofrimento, até para o sacrifício. Esta é ao mesmo tempo sua força e sua coragem.

Constituindo um “filme de monstro”, incomoda um pouco que os vilões sejam inevitavelmente ogros grunhindo. Um vilão de alto quilate sempre valoriza qualquer história. Incomoda mais, porém, que o roteiro do experiente Akiva Goldman, o homem por trás de filmes como Uma Mente Brilhante, ao reescrever o roteiro de Mark Protosevich, tenha deixado tantos buracos na lógica da história.

Por exemplo, se todo mundo morreu em Manhattan, do que é que os zumbis carnívoros se alimentam? Os bichos do zoológico, que andam soltos, ainda são vistos em pelo menos em duas cenas. Como Neville abastece seu carro, depois de anos de caos ? E também, como Anna, que veio alegadamente de Maryland, conseguiu levar Neville para sua casa, sendo que ele estava desacordado? Como ela conhecia tão bem as ruas de Manhattan para achar o caminho?

Ok, estas são perguntas de crítico chato porque o filme, afinal, é bom entretenimento. E tem a maravilhosa Alice Braga, num papel interessante e que está contribuindo para deslanchar sua carreira internacional. Alice, que fez seu primeiro trabalho internacional na co-produção brasileiro-mexicana Só Deus Sabe (2006), já alinhavou quatro outras produções: Blindness, adaptação do livro Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago, dirigida pelo brasileiro Fernando Meirelles; Crossing Over, de Wayne Kramer, estrelado por Harrison Ford e Sean Penn; Redbelt, de David Mamet, e ainda está filmando Repossessing Mambo, de Miguel Sapochnik, ao lado de Jude Law.

Neusa Barbosa


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