Sombras de Goya

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


País


Sinopse

Grande pintor da corte espanhola no século XVIII, Goya (Stellan Skarsgard) retrata em seus quadros os dramas de seu tempo. Uma de suas musas (Natalie Portman) cai nas mãos da Inquisição e ele procura ajudá-la.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

20/12/2007

A primeira originalidade deste filme é não ser exatamente sobre o pintor espanhol Francisco de Goya (1746-1828), como o título pode sugerir. Quem procurar visualizar as cores profundas de suas telas, seus contrastes exacerbados, seus personagens vitais e vigorosos, encharcados de seu tempo e da História, estará com certeza mais bem servido pelo filme de Carlos Saura, Goya (1999).

Dirigido pelo sempre perspicaz Milos Forman, com roteiro assinado pelo diretor tcheco e pelo também renomado roteirista francês Jean-Claude Carrière, Sombras de Goya reflete sobre a época em que coube a Goya (Stellan Skarsgard) viver. Período dos mais turbulentos da História, quando uma implacável Inquisição exercia com poder máximo suas perseguições obscurantistas, trucidando vidas a esmo. Goya, neste drama, será muito mais o angustiado observador que, protegido por seu status de artista preferido da monarquia, escapará de ser vítima direta dos inquisidores, mas não poderá impedir seus excessos contra alguns de seus caros amigos.

Amante da beleza, Goya convida a posar para ele a jovem Inês Bilbatua (Natalie Portman), filha de um rico comerciante local. Fiel à modelo, seu retrato torna-se rapidamente uma das maiores atrações do ateliê do famoso pintor. Para sua desgraça, Inês atraiu também a atenção dos inquisidores. Ao vê-la recusar um prato de carne de porco, numa noite em que saíra com seus irmãos, os espiões a denunciam por “judaísmo” e ela é convocada para um interrogatório.

Na sede da Inquisição, o circo já está armado para a condenação, não só de Inês, como de todos que têm a infelicidade de serem alcançados por suas garras. Submetida à tortura, a jovem conhece o horror e a solidão, sem que sua família possa fazer nada a respeito. O fundamentalismo cristão dava as cartas naquela sombria Espanha dos reis Carlos IV (Randy Quaid) e Maria Luisa (Blanca Portillo, de Volver).

Há uma última esperança para Inês e ela está nas mãos do padre Lorenzo (Javier Bardem). Apesar de não chefiar a Inquisição, ele é um conselheiro suficientemente hábil para influenciar suas decisões. Ao visitar Inês em seu calabouço, porém, Lorenzo é mais dominado por suas próprias tentações do que levado a fazer justiça em favor da vítima de um inominável abuso.

Vista pelos olhos de Goya, que não se cansa de traduzir em suas telas estes e outros horrores de seu tempo, a história levanta inúmeros temas. O principal, com certeza, é a necessidade de artistas atentos para preservarem em suas obras a memória de seu tempo, permitindo que os homens do futuro se esquivem de repetir alguns dos pesadelos passados. Se puderem.

É sempre bem-vindo observar como o veterano Forman, de 75 anos, produz um filme assim vigoroso, belo e com múltiplas facetas. O diretor de O Mundo de Andy (99), colecionador de Oscar em Um Estranho no Ninho (75) e Amadeus (84), não perdeu o jeito, nem a verve.

Neusa Barbosa


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança