A Vida dos Outros

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Sinopse

Wiesler é um agente da polícia política da República Democrática Alemã que começa a investigar o dramaturgo Georg Dreyman, acima de qualquer suspeita. A investigação muda a vida dos dois.


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Crtica Cineweb

29/11/2007

Quando o drama alemão A Vida dos Outros foi anunciado como o ganhador do Oscar de melhor filme em língua estrangeira, surpreendeu muita gente. O favorito, afinal, era o mexicano O Labirinto do Fauno, de Guillermo Del Toro, que acabou levando outros Oscar, como melhor direção de arte e fotografia.

Não por acaso, A Vida dos Outros se passa em 1984 – um ano que serve como uma alusão ao livro homônimo de George Orwell que trata do mesmo assunto: a vigilância estatal, marcando a volta de um regime parecido com o estalinismo. O cenário é Berlim Oriental, cuja população é vigiada pelos integrantes da Stasi – a polícia política da República Democrática Alemã – e também por informantes civis, que correspondem a mais de 2% da população da cidade. Entre os funcionários mais dedicados e competentes dessa polícia secreta está o capitão Wiesler (Ulrich Mühe, de Amém).

Wiesler é um torturador competente e tão seguro de seus métodos que grava interrogatórios para serem exibidos em suas aulas na Escola de Segurança do Estado. Um amigo o convida para ver a estréia de uma peça de Georg Dreyman (Sebastian Koch, de O Túnel) – conhecido como o único dramaturgo não-subversivo da RDA lido no ocidente. O investigador duvida que o escritor seja tão inocente quanto parece e assume como um desafio pessoal investigá-lo.

Começam os procedimentos básicos, como grampear o telefone de Dreyman e fazer relatórios diários sobre a vida do escritor. Essa investigação leva Wiesler a descobrir que a namorada do dramaturgo e também atriz de suas peças, Christa-Maria Sieland (Martina Gedeck), tem um caso com chefão do partido do governo, que promete à moça não apenas ascensão em sua carreira, mas também acesso a drogas proibidas no país.

No entanto, A Vida dos Outros subverte expectativas ao envolver o capitão de tal modo com a vida do dramaturgo e sua namorada, a ponto de sentir raiva de Christa-Maria por trair Dreyman. Wiesler identifica-se de tal modo com ele que se convence da inocência do outro e passa a protegê-lo.

A Vida dos Outros trata da progressiva desilusão de dois homens, Dreyman e Wiesler, com aquilo em que mais acreditam. Porém, em momento algum, o diretor e roteirista Florian Henckel von Donnersmarck reduz seus personagens ou o meio em que eles habitam a retratos maniqueístas.

Em sua estréia em longas, o alemão von Donnersmarck encontra um equilíbrio entre a narrativa e o visual em seu filme. A grande qualidade de A Vida dos Outros é revisar e, de certa forma, investigar o passado recente de seu país, abordando as contradições da República Democrática Alemã sob uma outra perspectiva histórica.

Alysson Oliveira


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